quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tédio

               M       
                   a           o
                      r      m
                        a s
O tédio entranha-se nas entranhas
Ele                                       pren-
de                                        Alie-
na                                        Entor-
pece                                    Minha
pobre                                  alma
No indeferente "status quo" diário

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sobre a maconha


Então, antes iniciar este post, gostaria de esclarecer alguns pontos: por mais que o nome e os assuntos deste blog possam sugerir, não sou usuário da maconha e nunca experimentei a mesma. Todo e qualquer comentário feito aqui não é baseado cientificamente, apenas deduzido por estatísticas, senso comum ou lógica. Além disso, não escrevi isso para condenar atitudes de ninguém, apenas para expor algumas reflexões feitas após ouvir opiniões e argumentos muito convincentes sobre o assunto.
Sou a favor da legalização. Não que a maconha não seja prejudicial à saúde. Ela causa, até onde sei, danos ao sistema nervoso e também ao respiratório. Provavelmente é tão perigosa quanto o café, o bacon, as gorduras trans e alguns remédios, todos estes substâncias lícitas, e menos perigosa que drogas como o álcool e o tabaco. Meio contraditório, não? A criminalização da maconha está relacionada a outros fatores históricos, que eu não domino o suficiente para comentar. Há vários documentários por aí falando sobre isso, enfim...  O certo, creio eu, seria legalizar tudo, e fornecer cultura. O homem com conhecimento pode discernir por si só o que é conveniente e o que não é para ele.
Por que então não consumo? Acho que também seria contraditório me dizer pacifista e sustentar a base econômica do tráfico que parasita as cidades com violência, insegurança e destruição da perspectiva de uma vida digna de milhares de crianças que são coagidas desde cedo a fugir da educação para o tráfico. Se sou contra uma base constitucional, deveria lutar e votar para que ela mude, em vez de acobertar práticas à margem da lei, que vão junto com o tráfico.
Posso ter sido um pouco radical nesse último parágrafo, mas por via das dúvidas, quem quer fumar seu baseado em paz e pensa em diminuir um pouco os prejuízos sociais causados, faça como já recomendou o Planet Hemp: "não compre, plante!"

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Como explicar o inexplicável?


"Vários transeuntes de uma cidade no sul da China ignoraram uma menina de dois anos de idade que havia sido atropelada, segundo a agência oficial de notícias do país, Xinhua.

O acidente na cidade de Foshan causou morte cerebral no bebê.

Imagens de câmeras mostraram a criança, chamada Yue Yue, sendo atingida por um furgão em um mercado.

A menina é então ignorada, durante sete minutos, por várias pessoas que passam pelo local. Ela é ainda atropelada por um segundo veículo."

Fonte: G1.globo.com

Primeiramente, isso é injustificável. Negar socorro a um ser humano, ainda mais a um bebê, que é inocência e bondade pura não deveria ser um ato próprio do senso ético e da natureza do animal racional que supostamente somos.
Não cabe a ninguém culpar uma pessoa, um estado, uma cultura ou uma raça sem entendermos profundamente o fato. Não obstante a imensa revolta diante da morbidez do acontecimento, não devemos abandonar a razão. Deve-se, sim, dar ouvidos ao grito esperneante da tristeza que sobre qualquer homem consiente se abate, mas também é necessária uma análise pensada sobre isso. 
De fato, é ABSURDO propor uma teoria racial que justifique isso cientificamente. Vários estudos já comprovaram que a etnia da qual alguém é proveniente não determina seu caráter. Acusar o asiático é propor um novo holocausto. Mesmo assim, cheguei a ler comentários no Youtube dizendo que os chineses eram "cachorros". O que é injustiça duas vezes, pois além denegrir uma raça, não estaríamos fazendo jus aos cães.

Seria idiotisse culpar a cultura chinesa ou seus costumes e tradições. Grande parte da arte e da cultura da China falam em equilíbrio, amor, etc. E mesmo que se pudesse culpar a cultura sino-asiática, tal fato não seria justificável, pois, embora hajam diferenças gritantes entre as sociedades oriental e ocidental, existem lugares comuns que pregam o altruísmo e a ajuda ao próximo.
Facilmente, poderia se culpar apenas as pessoas envolvidas, falar que é um caso isolado ou que as pessoas não viram e que está tudo bem. Mas elas viram. É doentio. É um comportamento muito repugnante e abrangente para se repetir em aproximadamente 20 pessoas (2 que atropelaram e mais 18 pedrestes que ignoraram a criança sangrando em agonia), além dos donos das lojas que estavam ao redor.
Alguns dirão, e já disseram, que a culpa é do estado chinês (ou até do comunismo) e das suas leis, se referindo ao "Nanjing judge", caso em que um homem foi multado por socorrer uma idosa caída na rua, após ela ter dito que fora ele quem a empurrara. O veredito chinês se apoiou numa tese tão grosseira quanto o próprio incidente: "se ele não fizera mal, por que ele teria a ajudado?" Porém, apesar de até haver um certo embasamento lógico, ainda é muito fácil e confortante dizer que o culpado é Mao Tsé Tung e sua criação do economicamente monstruoso estado chinês. O buraco há de estar mais embaixo.
Na minha rasteira opinião, o triste e extremamente lamentável ocorrido serve de alerta para toda a humanidade. Aonde vamos parar? Cabe aqui, sim questionar a evolução. Quais são os valores que estão impregnados subvertida e inconscientemente em toda a irracionalidade da sociedade que o homem criou? Todos nós somos responsáveis. O mais importante é não deixar que isso seja simplesmente esquecido com o tempo, que nos enganem e deem justificativas vãs, que deixem, só por um segundo, de agir pensando em tentar melhorar ou ao menos não piorar a situação da humanidade, que está por um triz de se desvirtuar por completo. Espero sinceramente que não.

domingo, 16 de outubro de 2011

Perdão

Verdejando na angústia do calar
Adagiando a cada passo
Como se me adejasse no espaço
Cada um dos nossos monossilábicos diálogos
Cada um dos nossos olhares imediatos
Cada um dos sorrisos envergonhados

Espero um dia, talvez, poder encontrar
O teu rosto sincero
Por um dia inteiro, te estudar
Cada minucioso detalhe imperceptível e depois gastar
Mais um dia para procurar
As palavras para explicar
E tentar fazer uma poesia que não seja tão ruim
Quanto essa
Perdão

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Jimi Hendrix

Ainda lembro-me (vagamente) do dia em que ouvi aquela guitarra pela primeira vez. Tinha por volta de 12 anos e uma imensa curiosidade sobre tudo que fugia do padrão. Vou confessar, ineditamente, odiei. Não estava pronto para tanto. Aquela microfonia que beirava o inescutável e agudos de ensurdecer qualquer um. É aquele tipo de coisa de se escuta, vê ou sente e dá aquela sensação: "que porra é esta?" Tentei esquecer e voltar para a minha vida normal e mundana. Inútil. Decidi dar outra chance pra aquele carinha a quem chamavam de melhor guitarrista do mundo (uma das poucas escolhas certas da civilização humana). Comecei a entender que a complexidade daquele som estava muito além do meu alcance e, conforme crescia como pessoa, adorava cada vez mais sua música. Vivia me perguntando o porquê daquilo. Numa música, eu ouvia a voz e a guitarra mais aveludadas do universo, na música seguinte, pura fúria e confusão. Hoje cheguei perto de conseguir explicitar o que sinto quando ouço Jimi Hendrix. Poucos artistas conseguiram captar a essência bela e doentia da natureza do homem do mesmo modo que ele. Toda a sujeira, todo o desconforto e dor nos ouvidos produzidos por aqueles sons não devem ser evitados, eles refletem o desespero causado pelas atitudes do "homo homini lupus". Juntamente com uma bateria "virada na moléstia" e um baixo fazendo a "cozinha" pra tudo isso, surge uma catarse de destruição, ira, ódio e revolta. Gritando por socorro, berrando desesperadamente por atenção. Logo em seguida, percebe-se a poeira baixando e o choro melodioso que é exalado da sua guitarra rasga e cicratiza. É um som que rompe qualquer barreira e inspira o que há de melhor em qualquer pessoa. É o amor na mais pura transcedentalidade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre as anáforas, metalinguisticamente, e outras coisas

Sou coerente
Sou concordante
Sou cansativo
Sou repetitivo

Estou cansado
Estou desiludido
Estou com esperança
Estou abatido

Me sinto incapaz
De falar
De declarar
De explicar pra você

Fora isso,
Ainda não tou pronto pra concordar
Mas tou com preguiça de discutir
Então eu calo

Mesmo sabendo que vão me encher o saco
E vão ficar falando sem ter nada pra falar

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tempo

Caríssimos e escassos leitores deste imundo recinto das letras,
Como algum de vocês talvez tenha notado, estou novamente fazendo um post sobre o tempo. É engraçado, pois isso demonstra mais uma vez o quão indefinido esse tema é (no último post, fui tentar definir o tempo e acabei fazendo poesia...). Após algumas conversas sobre dimensões, teoria das supercordas, etc, estávamos discutindo sobre a nossa capacidade de perceber as dimensões. Bem, obviamente, a primeira (comprimento) e a segunda (altura), são facilmente perceptíveis visualmente. A terceira (profundidade), apesar do que alguns pensam, não é exatamente percebida pela visão. A nossa visão usa de alguns artifícios (perspectiva, sombra,...) para nos dar uma noção da terceira dimensão, mas nós não a percebemos com exatidão (você consegue ver todos os lados de um cubo opaco ao mesmo tempo?) Enfim, chegou-se ao dilema da quarta dimensão, que para muitos seria o tempo. Bem, primeiro, para verificar a existência e perceptibilidade de tal dimensão, deve-se definir o tempo. Esse é o problema. O tempo é um daqueles conceitos básicos, que você usa para definir outros conceitos, mas ninguém consegue explicar o tempo por si só (não que eu saiba). Mas aí eu me questionei, será que realmente precisamos saber O QUE É para provar que EXISTE? Fiz algumas sinapses e cheguei à seguinte conclusão: não. Bem, o mundo existe (eu acho, mas é assunto pra outro post). Se o mundo existe, existe movimento, energia, força, aceleração, enfim, milhares de outros conceitos que só existem por meio do tempo. Admitindo que o mundo existe, o tempo existe. Se o tempo não existisse, seríamos apenas uma fotografia.
No univeso desse texto e dessa foto, o tempo não existe, já parou pra pensar nisso?


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A ciência é tão abstrata/"esotérica"/lógica quanto a religião

Fala meu povo, tudo de boa? O meu artigo argumentativo/investigativo de hoje vai ser um pouco diferente. Há muito que venho pensando neste pensamento e finalmente consegui um embasamento teórico melhor para postá-lo. Espero que não tenha cometido nenhuma falácia grave. Como estou um pouco cansado, não vai ser cheio dos rebuscamentos que embelezam o texto, então é isso.

Bem, como sempre, o título deste post não poderia ser mais sugestivo. A ideia é a seguinte: muitos dos "ateus convictos" com quem convivo ou converso esporadicamente argumentam que a religião e existência de um ser superior são muito abstratas, são "esotéricas" ou não fazem uso da lógica. Estou aqui para tentar mostrar-lhes um outro aspecto.

Primeiramente, sim, a religião é lógica. Como já cansei-me muito por ter errado alguma citação de Tomás de Aquino e ter tido que lutar durante horas de argumento, vou apenas colar aqui a primeira via de demonstração da existência divina. "Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido." (Fonte: Wikipédia). Satisfeitos?

Em segundo lugar, sim, a religião é abstrata, o que não gera empecilho algum. O problema em ser algo abstrato no mundo atual é que, com a influência do alto pragmatismo e "cienticifismo" americano, as pessoas tomam abstração por um sentido pejorativo como se fosse algo que não existisse em vez de questionar a área de existência da coisa (dragões, unicórnios, amor e saudade existem, pois antes de tudo são ideias), mas mesmo assim não é o caso da religião. A religião é, por exemplo, tão abstrata quanto à matemática. Você já viu um número, um quadrado ou um círculo? Obviamente não, tudo que se pode ver são representações dos mesmos. Os números complexos existem fisicamente, como quantidade? Não, eles apenas são representados e nem por isso deixam de implicar em cálculos que se manifestam e se provam empiricamente e materialmente. Do mesmo modo, pode-se dizer que a religião é assim. Alguém já viu Deus? Não (não me venham dizer que fisicamente já tocaram Deus, etc., etc., tocaram ou sentiram uma representação do mesmo). E nem por isso o mundo deixou de existir.

Por último, sim a ciência é "esotérica" tanto quanto a religião. Como toda boa discussão religiosa, no fim se chega a pergunta: "certo, supondo que esse tal Deus existe, como ele criou o mundo? E todas as aberrações que nascem? E as guerras? E as mortes inocentes, como você explica isso?" E a resposta seria a mesma de sempre: "não sei, do mesmo modo que você não pode me provar que o Big Bang existe". Meus caros, deve-se compreender o seguinte, há uma limitação para a abrangência do entender do homem. O homem pode, sim, provar um átomo com a tecnologia, porém tudo isso é inexato, tanto que se recicla periodicamente. Sempre gosto de fazer uma analogia com uma reta perfeita. Ela não existe fisicamente, nada é completamente reto, a cada unidade de comprimento que o homem conseguir pensar, a reta se tornará menos reta. O que ronda a nossa sociedade é uma extrema ignorância e desprezo pelos saberes antigos. Por que acreditar num átomo? Porque alguém leu em um livro? E a Bíblia, o que é? Você vai dizer que milhares de cientistas estudaram isso durante anos e anos. Por quanto tempo o homem busca "Deus"? A própria duração do homem na Terra e a duração dessa pesquisa se confundem. Tudo o que peço, caro leitor, é que o senhor pense muito antes de simplesmente seguir uma hipótese "lógica". Peço que questione todo e qualquer saber e busque o conhecimento. Como diria Gil: "procure saber, meu filho, procure saber".

"Procure sabeeeer, meu filho, procure saber."

sábado, 27 de agosto de 2011

Gente

Nesse mar de gente
Que a gente vive
A gente precisa lembrar
Que toda gente no meio
De toda essa gente
Também é gente
Que nem a gente

Tem gente que fala tchê
E gente que fala oxente
Tem gente que fala chicrete
E na boca,
Só tem os dente da frente
Tem gente que fala bonito,
É poliglota e tem retórica
Excelente
Mas...
É tudo gente
Que nem a gente

Tem gente que rouba, que mata, que estupra
E ainda se diz inocente
Tem gente que é ruim das ideias
E é doente da mente
Tem gente má intencionada
Que só quer o mal da gente
E ainda tem gente que diz
Que quem não faz
O que as gentes da tv faz
Não é gente
Que quem não vive que nem robô
E na garagem não tem um carro potente
Não é gente
Porém, apesar de todos os pesares,
Todos eles também são gente (os que são e os que não são)
Que nem a gente

Tem coisas na vida
Que desgentificam a gente
Mas é só querer ser gente
E tentar acreditar na pureza
De viver alegremente
Que qualquer um volta a ser gente


E antes de me despedir
Só tenho uma mensagem pra minha gente
A gente é homem, é bicho
É ruim, é bom, às vezes pior ainda
Contudo,
O que importa é amar e fazer o bem das outras gentes
Porque, antes de tudo isso,
A gente é gente.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Severino

Seu nome Severino
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão

Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo

Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe

Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina

Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...

Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata


sábado, 16 de julho de 2011

Ei, escuta só o silêncio

...
...
...
...



...
...
...
...




                                          (Só dá pra ouvir o barulho da chuva.)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Deixe-se acreditar

Even tough the glass-house smothers you
(Okay, the grids are protection
But so are the chains
And all the H-bombs)
I mean, there's no point in
Losing your faith
Still, there's also no point in
Telling everybody everything is alright

É a minha escolha
Ficar em cima do muro
Para toda a eternidade
Anyway, just warning you:
If I fall
Don't pull me back

Let it happen, naturally
As coisas vão se ajeitar
In unknown ways
Simplesmente deixe-se acreditar

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tempo

A maior das preocupações humanas
Facilmente perceptível, inexplicável
A própria intrinsecidade

Claramente impalpável
Na escuridão do dia
Invisível aos olhos seus e meus

Mas a morte revelará
O que até agora
                       A vida não pôde explicar

                  *Pode deixar, eu conto

        Agora não


                             Só depois

Nunca

         Quando acabar,           tá?


No dia que     a noite         for               bem escura, apesar                                  da forte     luz

Você quer saber
     Venderia a própria alma
Pra comprar a resposta

Apesar disso, espere
Pois falta pouco
Muito pouco

Pouco?
É claro
Você entenderá.

domingo, 24 de abril de 2011

Às ervilhas!


Então me perguntarás, caro leitor: por onde andei nesses dois longos e dolorosos meses sem postagens? Economiza, pois, tua saliva e espera que a resposta te será dada.
Eu caminhei por ruas desertas, peguei jacaré em praias da Sibéria e toquei xilofone com Gil. Fora isso, as coisas vãs se apossaram com toda a força do meu horário, mas deixemos isso de lado e vamos ao que importa, que é o que realmente importa.
Passou-se o carnaval, as cinzas foram levadas pelo vento, passou-se a quaresma e passou-se a páscoa. Incubei-me durante um tempo, refleti, quebrei e cumpri promessas e mudei de convicções. Porém a vida ainda está aí fora, correndo como o sangue nas minhas veias e artérias. Às vezes ela escorre lentamente como uma gota de chuva que bateu na janela e não sabe se está pronta para cair ao chão. Tem hora que ela para, contradizendo o que dizia aquele nobre poeta. Entretanto, na maioria do tempo, ela corre. Vai à deriva de tudo, intrinsecamente imparcial e independente. Sem se importar com nada, escolhe quando, onde e como, com ou sem porquê. Cabe a nós, reles mortais, apreciar as pequenas e puras coisas. O amor platônico, o leve tocar do piano, as ervilhas... Oh, esses belos grãos. Como fazem diferença na nossa insignificante existência. Sabor tão enigmático, cor tão viva e imponente. Doce? Talvez. Bela? Sem dúvida. 
Não esperemos mais! Às ervilhas! Devoremo-las, com delicadeza. Apreciemos cada singular momento que nos seja concedido com sua presença. Sintamo-las em nossas mãos, em nossa boca, em nossas línguas. Tão agradável quanto saboroso seja. Ponto. Espero ter dado o reconhecimento adequado à nossa adorada leguminosa, que passou anos e anos esquecida e subestimada em latas de conserva. Que, a partir de agora, não faltem referências gloriosas à sua importância política, emocional, literária e econômica. Às ervilhas!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Cores de odor cítrico e pungente

Três horas da madrugada. Acordo suado, sentindo aquele calor característico da pólis recifense. Ouço os habituais barulhos da noite e deixo a minha mente divagar, tentando retornar ao sonho que tive. Ou ao menos me lembrar dele...
...
...
...
O relógio da sala bate quatro horas da manhã. Acordo novamente. Levanto-me e percebo que tentar dormir seria um esforço inútil. Imagens passam rapidamente pelos meus olhos. Seus cabelos balançando ao mais puro clichê do vento. Seus olhos me olhando sem entender. Não há mais nada para entender. Tudo o que sinto é a angústia de ser tão incapaz de lhe dizer algo. E o momento que poderia durar para sempre não dura mais que três segundos. Silenciosos segundos que me torturaram e continuam a me torturar permanentemente com o arrependimento. A embriaguez vai passando e levando consigo a dormência, tornando a dor quase insuportável. Depois de tão longa sessão de auto flagelo, mergulho no marasmo dos sonhos novamente, onde não há sofrimento, melancolia, ilusão ou desilusão. Só há cores de odor cítrico e pungente.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A arte da insensatez

E disse São Paulo: "Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus" (1 Cor 3, 18-19).

Não sei se vocês sabem, mas me identifico muito com o catolicismo. Acredito que há uma força superior, já que não há como a vida ter surgido do nada, (o que ocorreu antes do Big Bang? E antes disso? E antes disso? Só o sobrenatural explica, já que é eterno e não há antes do eterno) e que essa força (Deus, Alá, Buda, ou algo do tipo) rege o mundo através da ciência (que nada mais é que uma demonstração dos acontecimentos, a ciência não causa nada). Mas isso tudo é assunto pra outro post. Enfim, não sou inteiramente católico, nem acredito por completo na bíblia, mas essa passagem realmente é inspirada.
Trocando a passagem em miúdos, o que São Paulo quer dizer é que o homem é sempre a "tábula rasa" de John Locke. Porém, se John Locke dizia que o homem nascia como uma tábula rasa, São Paulo diz que o homem nasce, vive e morre como uma tábula rasa. Notei duas interpretações para as sábias palavras de São Paulo:

1. O homem, como ser ignorante que é, consegue praticar a proeza de cometer os "mesmos" erros frequentemente. O homem não aprende com sua própria história.

2. Se olharmos o conhecimento de um homem em comparação à todo o conhecimento existente e potencial, facilmente observa-se que o conhecimento de um homem é nulo, é desprezível. O homem é e sempre será um copo de água incompleto. O verdadeiro sábio reconhece que sabe tão pouco em relação ao conhecimento potencial que seu conhecimento é nulo, é na verdade, uma insensatez. O verdadeiro sábio, entretanto, mesmo sabendo que nunca será perfeito, não desiste de atingir a perfeição.

As duas interpretações são belas, mas vou me ater à segunda.Vê-se claramente que São Paulo foi altamente influenciado por Sócrates. Na verdade, essa passagem é uma aprofundação do "só sei que nada sei" socratiano. Se observarmos a história humana com mais atenção todos os grandes sábios em suas épocas disseram à sua maneira o mesmo: busque a perfeição, embora não possas atingi-la, busque o amor. Em minha opinião, a perfeição é o amor. Uma sociedade utópica seria regida pelo amor. Sócrates disse: "só sei que nada sei". Platão disse que a realidade como nós a conhecemos era uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Aristóteles disse que todo ato era algo em potência, estava em constante melhoramento. São Paulo disse que o sábio era insensato. Locke disse que o homem era uma tábula rasa. Einstein disse que a busca da verdade era um domínio no qual seríamos crianças por toda a vida.
E Jesus disse: "amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
Então, meus caros, reconheçam suas respectivas insensatezas. Admitam-se imperfeitos para assim chegarem mais próximos da perfeição.
O homem é como um copo d'água incompleto que nunca fica cheio.
Mas nem por isso deve deixar de tentar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vivemos a era do nominismo

O título é autoexplicativo...

Vivemos uma época em que tudo tem um rótulo, todas as pessoas se prendem as suas únicas verdades. Todo o resto não faz sentido para essas pessoas. Claro, a discordância é um direito de cada um, mas o que acontece hoje é que as pessoas são muito fechadas.

Eu sinceramente pensava há algum tempo que vivíamos num mundo moderno, no qual tudo que era novo se aceitava facilmente e se não era aceito era, ao menos, respeitado. Enganei-me redondamente. A verdade é que a vanguarda sempre fica meio que em evidência e a intolerância e o retrógrado sempre escondidos em suas casas. Mas alguns fatos recentes trouxeram tudo isso à tona. Crimes homofóbicos, ações racistas, etnocêntricas e preconceituosas e intolerância até contra deficientes físicos me alertaram para essa realidade instransigente.

Isso nos traz para o tema central deste post: o nominismo. Comunismo, capitalismo, socialismo, cristianismo, islamismo, budismo, judaísmo, progressismo, tradicionalismo, romantismo, realismo, desenvolvimentismo, vegetarianismo, carnivorismo, canibalismo, etc. O que quero dizer é que as pessoas querem sempre achar algo para ser diferentes, apenas para humilhar e rebaixar as escolhas do próximo, mas a verdade é que somos todos iguais na diferença. Não há verdade absoluta, nem mesmo esta. Cada singular particularidade deveria nos unir, nos aproximar. Saber conviver com as diferenças é fundamental para que a socialidade do homem sobreviva.

Devemos encontrar a unidade na diferença.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O tempo, o efêmero e o duradouro

É impressão minha? Será que, a cada dia que se passa, o dia se passa mais rápido?
O ano já está no começo e ainda está no fim.
As informações me atingem, perpassam o meu peito, com uma velocidade inimaginável.
Tão rapidamente que não consigo absorver nada.
Sinto-me mais vazio a cada minuto. A cada segundo.
A esperança se esvai, como um bom e raro perfume cujo frasco está irremediavelmente aberto.
A efemeridade dura cada vez mais. É constante.
Globalizo-me sem querer.
Torno-me ignorante.
Perco a paciência.
Inquieto-me.
Não durmo.
Envelheço.
Sofro.
Paro.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Manifesto da loucura

Por que não subverter valores? Por que não derrubar instituições falidas que promovem apenas a estagnação e a alienação, levando à deterioração do ser humano? A loucura é a única lucidez num mundo tão irracional e hipócrita. Chegou a hora de tomar uma nova roupagem, de deixar para trás tudo aquilo que te enfraquece e te faz mal. De repensar os atos e os próprios pensamentos. "Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca." "Faze o que tu queres será o todo da Lei." Pouco importa sua ideologia, sua religião, seu nome, suas riquezas. Que o valor seja dado ao que realmente vale. O amor. Façamos então, agora mesmo, a nossa própria revolução utópica dentro de nós mesmos, com consenquências exteriores. Não vivamos só de aparências. Então, meus caros, deixem que nos chamem de loucos, sonhadores, insanos ou qualquer outra denúncia vazia. Mas não ignorem os seus instintos, nem se deixem dominar por eles. Não adotem um dogma para si mesmos. Escutem os outros e escutem a si mesmos. "Compelle intrare!" Deixem que suas almas experimentem tudo isso. Amem. Amém. Que assim seja.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Confusão de pensamentos

Então, peguei-me escrevendo, apagando e reescrevendo este post, cada vez com uma ideia e um pensamento diferente, às vezes até contraditório ao seu antecessor. Dei-me conta de que é disso que se trata o blog: metamorfismo, mudança, avanço, vanguarda e decidi fazer um post justamente sobre isso.
Como já disse Hitler, (é, meus caros, citar Hitler pode parecer algo absurdo, mas ninguém é de todo mal e, como diria meu professor de literatura, "a arte é singular na criação e plural na interpretação". Assim também o farei com Hitler) "acordos foram feitos para serem quebrados", ou algo do gênero.Tenho certeza que  Não sei se a intenção dele no texto é diferente da minha interpretação, mas eu concordo plenamente com essa frase. Convicções existem nada mais, nada menos do que para deixarem de existir. Às vezes chego a duvidar dessa minha única e própria exceção "conviccionária". Eis o dilema dos ceticistas e todos os outros caçadores da verdade. Não sei se um dia mudarei meu ponto de vista novamente, mas no dado momento (que já é passado no dado momento de agora) prefiro afirmar a minha completa ignorância. É mais fácil, confortável e racional se admitir contraditório. Parafraseio agora o nosso mais famoso autor defunto, também consciente de que esta minha interpretação possa não ter sido sua intenção: "Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa".
É, consegui concluir o post, mas completamente diferente da minha intenção original. Qual é a diferença? Seria inevitavelmente diferente no momento seguinte.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Melancolia e inércia no réveillon

Finalmente, depois de 17 dias sem postar (acho que é isso), me veio um golpe de inspiração. Em pleno réveillon. Depois de passar um longo tempo hibernando socialmente, leia-se: isolado em casa jogando Mario Bros. no Wii, após descobrir que esse jogo existia (até então achava o Wii um saco), estava sem nenhum ânimo para as tais celebrações de fim de ano. Odeio a maioria das convenções sociais que nos são impostas. Cumprimentar toda pessoa que vejo cordialmente com um vazio "feliz ano novo", fazer contagem regressiva pro fim do ano, me empanturrar de comida, ficar brindando o tempo todo e escutar música ruim e alta. Tudo isso ao som das reclamações da minha mãe de que eu deveria compartilhar aquele momento (assistir ao show da virada e falar da vida dos outros) com a família, ao invés de ficar inerte em outro lugar qualquer. Estava conversando com meu primo em outro dia sobre a importância do réveillon. Ele me explicava que era um "rito de passagem". É compreensível. Adotar o fim do ano como um símbolo de renovação, melhoramento e reflexão faz sentido. Se você levar isso à sério. Senão vira apenas mais um motivo pra escutar música ruim e alta, beber e "raparigar". Decidi ser fiel aos meus princípios. Cumprimentei as pessoas o mais rapidamente possível e retirei-me para os meus aposentos com o intuito de refletir sobre o ano que passou e fazer planos para o ano que vem. Espero ser mais fiel ao que sou neste ano que começa. Ser mais simples e preocupado com meu próximo. Isso é réveillon pra mim. Faça apenas o que faz sentido pra você, seja sincero consigo mesmo e com os outros. Não deseje feliz aniversário pelo Orkut. Não fique entrando e saindo do MSN desejando "feliz ano novo". Não se torne apenas mais um cliché vazio e massificado alienadamente.