segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre as anáforas, metalinguisticamente, e outras coisas

Sou coerente
Sou concordante
Sou cansativo
Sou repetitivo

Estou cansado
Estou desiludido
Estou com esperança
Estou abatido

Me sinto incapaz
De falar
De declarar
De explicar pra você

Fora isso,
Ainda não tou pronto pra concordar
Mas tou com preguiça de discutir
Então eu calo

Mesmo sabendo que vão me encher o saco
E vão ficar falando sem ter nada pra falar

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tempo

Caríssimos e escassos leitores deste imundo recinto das letras,
Como algum de vocês talvez tenha notado, estou novamente fazendo um post sobre o tempo. É engraçado, pois isso demonstra mais uma vez o quão indefinido esse tema é (no último post, fui tentar definir o tempo e acabei fazendo poesia...). Após algumas conversas sobre dimensões, teoria das supercordas, etc, estávamos discutindo sobre a nossa capacidade de perceber as dimensões. Bem, obviamente, a primeira (comprimento) e a segunda (altura), são facilmente perceptíveis visualmente. A terceira (profundidade), apesar do que alguns pensam, não é exatamente percebida pela visão. A nossa visão usa de alguns artifícios (perspectiva, sombra,...) para nos dar uma noção da terceira dimensão, mas nós não a percebemos com exatidão (você consegue ver todos os lados de um cubo opaco ao mesmo tempo?) Enfim, chegou-se ao dilema da quarta dimensão, que para muitos seria o tempo. Bem, primeiro, para verificar a existência e perceptibilidade de tal dimensão, deve-se definir o tempo. Esse é o problema. O tempo é um daqueles conceitos básicos, que você usa para definir outros conceitos, mas ninguém consegue explicar o tempo por si só (não que eu saiba). Mas aí eu me questionei, será que realmente precisamos saber O QUE É para provar que EXISTE? Fiz algumas sinapses e cheguei à seguinte conclusão: não. Bem, o mundo existe (eu acho, mas é assunto pra outro post). Se o mundo existe, existe movimento, energia, força, aceleração, enfim, milhares de outros conceitos que só existem por meio do tempo. Admitindo que o mundo existe, o tempo existe. Se o tempo não existisse, seríamos apenas uma fotografia.
No univeso desse texto e dessa foto, o tempo não existe, já parou pra pensar nisso?


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A ciência é tão abstrata/"esotérica"/lógica quanto a religião

Fala meu povo, tudo de boa? O meu artigo argumentativo/investigativo de hoje vai ser um pouco diferente. Há muito que venho pensando neste pensamento e finalmente consegui um embasamento teórico melhor para postá-lo. Espero que não tenha cometido nenhuma falácia grave. Como estou um pouco cansado, não vai ser cheio dos rebuscamentos que embelezam o texto, então é isso.

Bem, como sempre, o título deste post não poderia ser mais sugestivo. A ideia é a seguinte: muitos dos "ateus convictos" com quem convivo ou converso esporadicamente argumentam que a religião e existência de um ser superior são muito abstratas, são "esotéricas" ou não fazem uso da lógica. Estou aqui para tentar mostrar-lhes um outro aspecto.

Primeiramente, sim, a religião é lógica. Como já cansei-me muito por ter errado alguma citação de Tomás de Aquino e ter tido que lutar durante horas de argumento, vou apenas colar aqui a primeira via de demonstração da existência divina. "Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido." (Fonte: Wikipédia). Satisfeitos?

Em segundo lugar, sim, a religião é abstrata, o que não gera empecilho algum. O problema em ser algo abstrato no mundo atual é que, com a influência do alto pragmatismo e "cienticifismo" americano, as pessoas tomam abstração por um sentido pejorativo como se fosse algo que não existisse em vez de questionar a área de existência da coisa (dragões, unicórnios, amor e saudade existem, pois antes de tudo são ideias), mas mesmo assim não é o caso da religião. A religião é, por exemplo, tão abstrata quanto à matemática. Você já viu um número, um quadrado ou um círculo? Obviamente não, tudo que se pode ver são representações dos mesmos. Os números complexos existem fisicamente, como quantidade? Não, eles apenas são representados e nem por isso deixam de implicar em cálculos que se manifestam e se provam empiricamente e materialmente. Do mesmo modo, pode-se dizer que a religião é assim. Alguém já viu Deus? Não (não me venham dizer que fisicamente já tocaram Deus, etc., etc., tocaram ou sentiram uma representação do mesmo). E nem por isso o mundo deixou de existir.

Por último, sim a ciência é "esotérica" tanto quanto a religião. Como toda boa discussão religiosa, no fim se chega a pergunta: "certo, supondo que esse tal Deus existe, como ele criou o mundo? E todas as aberrações que nascem? E as guerras? E as mortes inocentes, como você explica isso?" E a resposta seria a mesma de sempre: "não sei, do mesmo modo que você não pode me provar que o Big Bang existe". Meus caros, deve-se compreender o seguinte, há uma limitação para a abrangência do entender do homem. O homem pode, sim, provar um átomo com a tecnologia, porém tudo isso é inexato, tanto que se recicla periodicamente. Sempre gosto de fazer uma analogia com uma reta perfeita. Ela não existe fisicamente, nada é completamente reto, a cada unidade de comprimento que o homem conseguir pensar, a reta se tornará menos reta. O que ronda a nossa sociedade é uma extrema ignorância e desprezo pelos saberes antigos. Por que acreditar num átomo? Porque alguém leu em um livro? E a Bíblia, o que é? Você vai dizer que milhares de cientistas estudaram isso durante anos e anos. Por quanto tempo o homem busca "Deus"? A própria duração do homem na Terra e a duração dessa pesquisa se confundem. Tudo o que peço, caro leitor, é que o senhor pense muito antes de simplesmente seguir uma hipótese "lógica". Peço que questione todo e qualquer saber e busque o conhecimento. Como diria Gil: "procure saber, meu filho, procure saber".

"Procure sabeeeer, meu filho, procure saber."