segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O tempo, o efêmero e o duradouro

É impressão minha? Será que, a cada dia que se passa, o dia se passa mais rápido?
O ano já está no começo e ainda está no fim.
As informações me atingem, perpassam o meu peito, com uma velocidade inimaginável.
Tão rapidamente que não consigo absorver nada.
Sinto-me mais vazio a cada minuto. A cada segundo.
A esperança se esvai, como um bom e raro perfume cujo frasco está irremediavelmente aberto.
A efemeridade dura cada vez mais. É constante.
Globalizo-me sem querer.
Torno-me ignorante.
Perco a paciência.
Inquieto-me.
Não durmo.
Envelheço.
Sofro.
Paro.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Manifesto da loucura

Por que não subverter valores? Por que não derrubar instituições falidas que promovem apenas a estagnação e a alienação, levando à deterioração do ser humano? A loucura é a única lucidez num mundo tão irracional e hipócrita. Chegou a hora de tomar uma nova roupagem, de deixar para trás tudo aquilo que te enfraquece e te faz mal. De repensar os atos e os próprios pensamentos. "Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca." "Faze o que tu queres será o todo da Lei." Pouco importa sua ideologia, sua religião, seu nome, suas riquezas. Que o valor seja dado ao que realmente vale. O amor. Façamos então, agora mesmo, a nossa própria revolução utópica dentro de nós mesmos, com consenquências exteriores. Não vivamos só de aparências. Então, meus caros, deixem que nos chamem de loucos, sonhadores, insanos ou qualquer outra denúncia vazia. Mas não ignorem os seus instintos, nem se deixem dominar por eles. Não adotem um dogma para si mesmos. Escutem os outros e escutem a si mesmos. "Compelle intrare!" Deixem que suas almas experimentem tudo isso. Amem. Amém. Que assim seja.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Confusão de pensamentos

Então, peguei-me escrevendo, apagando e reescrevendo este post, cada vez com uma ideia e um pensamento diferente, às vezes até contraditório ao seu antecessor. Dei-me conta de que é disso que se trata o blog: metamorfismo, mudança, avanço, vanguarda e decidi fazer um post justamente sobre isso.
Como já disse Hitler, (é, meus caros, citar Hitler pode parecer algo absurdo, mas ninguém é de todo mal e, como diria meu professor de literatura, "a arte é singular na criação e plural na interpretação". Assim também o farei com Hitler) "acordos foram feitos para serem quebrados", ou algo do gênero.Tenho certeza que  Não sei se a intenção dele no texto é diferente da minha interpretação, mas eu concordo plenamente com essa frase. Convicções existem nada mais, nada menos do que para deixarem de existir. Às vezes chego a duvidar dessa minha única e própria exceção "conviccionária". Eis o dilema dos ceticistas e todos os outros caçadores da verdade. Não sei se um dia mudarei meu ponto de vista novamente, mas no dado momento (que já é passado no dado momento de agora) prefiro afirmar a minha completa ignorância. É mais fácil, confortável e racional se admitir contraditório. Parafraseio agora o nosso mais famoso autor defunto, também consciente de que esta minha interpretação possa não ter sido sua intenção: "Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa".
É, consegui concluir o post, mas completamente diferente da minha intenção original. Qual é a diferença? Seria inevitavelmente diferente no momento seguinte.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Melancolia e inércia no réveillon

Finalmente, depois de 17 dias sem postar (acho que é isso), me veio um golpe de inspiração. Em pleno réveillon. Depois de passar um longo tempo hibernando socialmente, leia-se: isolado em casa jogando Mario Bros. no Wii, após descobrir que esse jogo existia (até então achava o Wii um saco), estava sem nenhum ânimo para as tais celebrações de fim de ano. Odeio a maioria das convenções sociais que nos são impostas. Cumprimentar toda pessoa que vejo cordialmente com um vazio "feliz ano novo", fazer contagem regressiva pro fim do ano, me empanturrar de comida, ficar brindando o tempo todo e escutar música ruim e alta. Tudo isso ao som das reclamações da minha mãe de que eu deveria compartilhar aquele momento (assistir ao show da virada e falar da vida dos outros) com a família, ao invés de ficar inerte em outro lugar qualquer. Estava conversando com meu primo em outro dia sobre a importância do réveillon. Ele me explicava que era um "rito de passagem". É compreensível. Adotar o fim do ano como um símbolo de renovação, melhoramento e reflexão faz sentido. Se você levar isso à sério. Senão vira apenas mais um motivo pra escutar música ruim e alta, beber e "raparigar". Decidi ser fiel aos meus princípios. Cumprimentei as pessoas o mais rapidamente possível e retirei-me para os meus aposentos com o intuito de refletir sobre o ano que passou e fazer planos para o ano que vem. Espero ser mais fiel ao que sou neste ano que começa. Ser mais simples e preocupado com meu próximo. Isso é réveillon pra mim. Faça apenas o que faz sentido pra você, seja sincero consigo mesmo e com os outros. Não deseje feliz aniversário pelo Orkut. Não fique entrando e saindo do MSN desejando "feliz ano novo". Não se torne apenas mais um cliché vazio e massificado alienadamente.