Não sei se vocês sabem, mas me identifico muito com o catolicismo. Acredito que há uma força superior, já que não há como a vida ter surgido do nada, (o que ocorreu antes do Big Bang? E antes disso? E antes disso? Só o sobrenatural explica, já que é eterno e não há antes do eterno) e que essa força (Deus, Alá, Buda, ou algo do tipo) rege o mundo através da ciência (que nada mais é que uma demonstração dos acontecimentos, a ciência não causa nada). Mas isso tudo é assunto pra outro post. Enfim, não sou inteiramente católico, nem acredito por completo na bíblia, mas essa passagem realmente é inspirada.
Trocando a passagem em miúdos, o que São Paulo quer dizer é que o homem é sempre a "tábula rasa" de John Locke. Porém, se John Locke dizia que o homem nascia como uma tábula rasa, São Paulo diz que o homem nasce, vive e morre como uma tábula rasa. Notei duas interpretações para as sábias palavras de São Paulo:
1. O homem, como ser ignorante que é, consegue praticar a proeza de cometer os "mesmos" erros frequentemente. O homem não aprende com sua própria história.
2. Se olharmos o conhecimento de um homem em comparação à todo o conhecimento existente e potencial, facilmente observa-se que o conhecimento de um homem é nulo, é desprezível. O homem é e sempre será um copo de água incompleto. O verdadeiro sábio reconhece que sabe tão pouco em relação ao conhecimento potencial que seu conhecimento é nulo, é na verdade, uma insensatez. O verdadeiro sábio, entretanto, mesmo sabendo que nunca será perfeito, não desiste de atingir a perfeição.
As duas interpretações são belas, mas vou me ater à segunda.Vê-se claramente que São Paulo foi altamente influenciado por Sócrates. Na verdade, essa passagem é uma aprofundação do "só sei que nada sei" socratiano. Se observarmos a história humana com mais atenção todos os grandes sábios em suas épocas disseram à sua maneira o mesmo: busque a perfeição, embora não possas atingi-la, busque o amor. Em minha opinião, a perfeição é o amor. Uma sociedade utópica seria regida pelo amor. Sócrates disse: "só sei que nada sei". Platão disse que a realidade como nós a conhecemos era uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Aristóteles disse que todo ato era algo em potência, estava em constante melhoramento. São Paulo disse que o sábio era insensato. Locke disse que o homem era uma tábula rasa. Einstein disse que a busca da verdade era um domínio no qual seríamos crianças por toda a vida.
E Jesus disse: "amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
Então, meus caros, reconheçam suas respectivas insensatezas. Admitam-se imperfeitos para assim chegarem mais próximos da perfeição.
O homem é como um copo d'água incompleto que nunca fica cheio.
Mas nem por isso deve deixar de tentar.

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