...
...
...
O relógio da sala bate quatro horas da manhã. Acordo novamente. Levanto-me e percebo que tentar dormir seria um esforço inútil. Imagens passam rapidamente pelos meus olhos. Seus cabelos balançando ao mais puro clichê do vento. Seus olhos me olhando sem entender. Não há mais nada para entender. Tudo o que sinto é a angústia de ser tão incapaz de lhe dizer algo. E o momento que poderia durar para sempre não dura mais que três segundos. Silenciosos segundos que me torturaram e continuam a me torturar permanentemente com o arrependimento. A embriaguez vai passando e levando consigo a dormência, tornando a dor quase insuportável. Depois de tão longa sessão de auto flagelo, mergulho no marasmo dos sonhos novamente, onde não há sofrimento, melancolia, ilusão ou desilusão. Só há cores de odor cítrico e pungente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário