sábado, 29 de dezembro de 2012

Sobre a maconha (2)

E aí meu povo, este post é um "adendo" a uma postagem anterior, devido a recentes reflexões que fiz sobre o uso da maconha, enquanto criminalizada, e os males causados à sociedade. Para quem não viu o primeiro post, aqui segue o link: http://coerenciametamorfica.blogspot.com.br/2011/11/sobre-maconha.html.

Então, continuo afirmando tudo que foi dito nessa postagem, porém vim pensando recentemente: por que as pessoas que fazem uso da droga continuam utilizando-a, muitas delas completamente conscientes do prejuízo social causado por ela? Percebi que muitos não têm a percepção de que a guerra do tráfico é alimentada por eles, simplesmente porque ela não os perturba. Geralmente, quando tu, caro usuário, acendes um baseado na tua festinha ou na sacada do teu apartamento, nenhum policial vai bater na tua porta. As balas perdidas não chegam ao vigésimo andar. Os traficantes não vão aliciar teu irmão para o tráfico e destruir a "infância" de seus coleguinhas. E depois tu ainda pagas de humanista, de "paz-e-amor" e tudo mais.


Por fim, para as autoridades, na maioria dos casos, a diferença entre usuário e traficante é o poder aquisitivo. Se tem um favelado fumando maconha, é traficante. Se é rico, leva só um baculejo, é usuário, é a lei. Assim é muito fácil ser maconheiro.

Feliz 2013.

sábado, 24 de novembro de 2012

Imprevisibilidade

É interessante (e ao mesmo tempo assustador) perceber a quase completa falta de controle que nós temos sobre as nossas próprias vidas. A partir do ponto em que aceitamos viver em sociedade (ou seja, desde sempre), a nossa decisão se torna apenas um fator de influência, em meio a infinitos outros fatores gerados pela livre arbitrariedade do homem. Não que isso sempre represente algo ruim, pois há momentos em que nossas ações, se tomadas como únicas, poderiam se tornar repercussões desastrosas.

E não adianta planejar, se preocupar, esquematizar, imprevistos se chamam assim não por acaso.  E tomar consciência desses fatos implica interiorizar aceitação e resignação para a inevitável imprevisibilidade das consequências para nossos atos. Isso não significa exatamente a desistência perante um aparente desenrolar inesperado de acontecimentos, mas sim estar preparado para vivenciar as surpresas e reagir a elas "energicamente". Isso significa aprender a lidar com as nuances da estrada vital na qual todos nós estamos obrigatoriamente inseridos e com a orientação divina e todo o mistério a que está ligado o Seu propósito.

A consciência da imprevisibilidade nos convida a uma nova postura de vida. Ela nos propõe que vivamos plenamente, apreciando cada uma das belíssimas pedras que hão de surgir no nosso caminho.

Drummond, apreciando as pedras da vida dele.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A mentira sobre a poesia

Dizem que a poesia é coisa bonita
E que o "poeta" é um cara que fala bem
Todo "poeta" é, na verdade, um tímido
É um cara que tem algo pra dizer (ou não)
Contudo, só o diz se na verdade
Está escondido numa aura de criatividade

E aí renuncia sua própria realidade
E empurra a própria criação
Pra um ego criativo
Pra um ser extra-(intra-corpóreo)
Mas sabe que tudo
Se foi por ele enunciado
Faz parte do mesmo sarapatel
De vísceras cerebrais

sexta-feira, 27 de julho de 2012

???

Quem vive
De preto no branco
Acaba perdendo todas as nuances
De tons de cinza

Quem vive no abismo da incerteza
Do questionamento, da dúvida permanente
Se renova
A cada nova verdade

Quem vive na sua própria incerteza
Eu tenho certeza
Que enxerga mais beleza
Em cada mudança
Que causa estranheza
A todos os outros viventes

E quem vive na pergunta não se perde
Porque sabe que não há lugar para se achar
Senão o próprio lugar
Em que, no dado momento, se está
Ou aquele lugar
Lá no infinito

sábado, 14 de abril de 2012

"O homem é o único animal que pode dizer não a Deus"

"O homem é o único animal que pode dizer não a Deus."

Essa percepção, apesar de tão clara e de uma simplicidade enorme, é de uma importância imensurável.

Os homens, como únicos animais "racionais", tem certas peculiaridades em relação aos nossos caríssimos colegas de vivência existencial que são "irracionais". O homem tem a Escolha. Como falei um pouco no post anterior, somos um misto de determinismo e possibilidades. Somos animais, mas temos a capacidade de estabelecer juízos de valor sobre o universo e de nos diferenciarmos. Isso dá uma outra dimensão de beleza ao homem.

Falando como cristão, Deus criou o homem, mas não para ser seu servo e o obedecer cegamente, Ele sempre estará falando ao nosso ouvido, cabe a nós termos vontade ou não de ouvir. Deus não é um ditador. Ele nos criou para sermos seus amigos. Na bíblia, diz-se que Deus criou o homem para que ele dominasse a terra e todos os animais. Analisando friamente, chega até a ser uma atitude bem presunçosa. Ele nos cria sem obrigações, e, por amor e gratidão à Sua grandeza, seguiríamos Ele. Temos a opção de dizer Não a Deus e isso torna  nosso Sim extramente valioso e belo.

Se o livre-arbítrio dá tanta beleza à natureza humana, por outro lado ele é também a raiz de todas as nossas angústias... O homem é o único animal que Pensa em ser feliz. Todos os outros simplesmente o são. Exemplo: um gato está com fome, triste. Levanta-se sobre suas quatro patas, come e fica feliz, em plenitude com sua existência. O homem, por sua vez, levanta infinitas incógnitas e variáveis. Sente fome, triste. Pergunta-se porque está triste, escolhe o que vai comer, tem dúvidas, pensa no que fará depois de comer e quando finalmente, após comer, quando deveria, supostamente ter satisfeito suas vontades, lembra-se que ele poderia ter comido melhor, que daqui a 3 horas vai estar com fome de novo, que faz tempo em que não escreve em seu blog, etc. O homem Nunca alcança a plenitude, porque ele compreende que existem diversas variáveis que poderiam ser melhores. O que nos resta é, ou viver angustiado refletindo sobre essa impossibilidade, ou viver positivamente sempre buscando a plenitude, própria e de todos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Multidimensionalidade de escolhas X Máquina "racional" programável

Caríssimos e imaginários leitores,

Após um hiato por tempo indefinido, estamos reabrindo. Gostaria de dizer primeiramente que apreciei muito as pessoas que me perguntavam sobre o blog, se eu ainda estava postando... Enfim, estou de volta, após um tempo para clarear as ideias.

Nesse post, vou abordar o livre arbítrio humano, a espontaneidade e pressões sociais e psicológicas.

Então, eu estava vendo um programa sobre uma experiência psicológica, e percebi que, apesar de ser extremamente reconfortante a ideia de que nós somos racionais e temos uma grande variedade de escolhas por fazer, em certas áreas, o homem age seguindo padrões. A real questão é: será que esses padrões existem porque a razão é uma só e por isso nos leva aos mesmos caminhos, quando estamos sob as mesmas condições, ou será que, em verdade, o nosso subconsciente está condicionado e propenso a fazer as mesmas escolhas sempre? Esse dilema é agravado ainda mais nos dias de hoje pela imposição dos meios de comunicação e pela relativa articulação entre as pessoas e os setores sociais.

É de conhecimento geral que esses assim chamados padrões de comportamento existem. O homem é um ser social, influenciável e, querendo ou não, de uma maneira ou de outra, no final das contas somos da mesma espécie, então temos interesses em comum, como se alimentar, descansar, reproduzir, sobreviver. Dois fatores que apontam contra o livre arbítrio puro: a tendência do homem de tentar ser aceito e agir em grupo e os instintos de sobrevivência da nossa espécie.

Por outro lado, apontam a favor do livre arbítrio os fenômenos sociais de revoluções, contracultura, exclusão e estranhamento entre grupos sociais. A diversificação cultural em si, às vezes existente em um mesmo território é uma comprovação bruta da existência do livre arbítrio. Além disso, pela própria definição de padrão de comportamento, se há uma conduta recomendada pela sociedade, há uma conduta não recomendada, e pessoas que se comportam de tal maneira.

Isso nos traz para outro ponto. Considerar uma conduta mais ou menos aceita pelo meio influencia a decisão das pessoas. Dessa maneira, pode-se observar que os tais padrões de comportamento, apesar de rigidamente fixos, são moldáveis, condicionáveis pelas condições do meio.

Pode-se concluir que, no fim das contas, o ser humano é um misto de determinismo e possibilidades. E, conforme diminui-se o "pensar", aumenta-se a previsibilidade das ações humanas. A pergunta que continua sem resposta é: como surgem as alternativas espontâneas, sem reflexão? Como há indivíduos que fogem do padrão de comportamento comum naturalmente? Uma mutação no instinto humano? Outros fatores que condicionaram o desvio não perceptíveis pelos outros?