quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Um homem precisa viajar

Durante esses alguns dias que passei fora do Brasil, vivenciei muitas experiências, boas e ruins. Aprendi a ver o mundo de uma maneira diferente, tanto na minha vida pessoal como acadêmico-profissional. Um dos meus lemas, foi "um homem precisa viajar", retirado de um texto de um cara foda, chamado Amyr Klink que, por exemplo, cruzou, num barco à remo, o Oceano Atlântico.

Acho que esse texto resume bem (se é que é possível resumir de alguma maneira) os motivos pelos quais decidi viajar. Os motivos pelos quais viajei de bicicleta, a pé, de carona, de ônibus e de avião. Os motivos pelos quais dormi em casas de amigos, em albergues, hotéis e barracas (ou similares). Enfim, sem mais delongas, aqui vão meus motivos:

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Amyr Klink

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A função

Estimado leitor deste abandonado muquifo virtual,

Cá estou. Eis me aqui.

Primeiramente gostaria de pedir, clamar, implorar o perdão de meus assíduos consumidores de matéria textual pelo parcial fracasso da previamente proposta série Conhecendo o Recife. Parcial porque ela me serviu. Me serviu pois abriu meus olhos e revelou nuances de uma cidade altamente complexa e que ainda muito me intriga. E isso se confirma ainda mais agora que, longe de casa, sinto-me mais brasileiro, nordestino e recifense. Mais do que nunca. Cheguei, ainda em terras tupiniquins (obviamente), a realizar a primeira da expedições pela Cidade Maurícia por alguns bairros já conhecidos. Entretanto, por motivos de inconsistência metodológica, não pude dar cabo à mesma. Quem sabe, um dia retome-a.

Mas não vim aqui para fazer um pedido público de desculpas. Vim aqui para escrever. Não compreendo completamente os motivos que me levam a publicar tais rarefeitas e rebuscadas postagens. Inicialmente, acreditava que o vir-a-ser deste blog era uma plataforma de compartilhamento de ideias, um fomentador de buscas pela inalcançável verdade que maleavelmente nos escapa. Não acredito que este potencial esteja esgotado, muito menos que a permissividade de mudar de ideia que sempre regiu estas terras acabou. No entanto,  a linguagem (numa de suas metalinguísticas artimanhas) veio a permitir que o Coerência Metamórfica justificasse a si mesmo e, naturalmente mudasse de cor, de sentido, de função. Enxergo-o e Ele próprio o é, hoje, mais um depósito de ideias, um backup de expressão e linguagem. Como uma Penseira do Dumbledore, porém em estado de superposição quântica (no sentido de que, excluindo-se a indicação de data no canto superior direito, todos os posts guardam em si um pedaço de minha mente em diferentes estados e coexistem estáticos (no tempo), num ambiente que pode ser descrito como um alter ego virtual). Mais ainda, a observação sua provoca uma alteração em tal estado. Tal combinação de pedaço mental e leitura, ambos dependentes do tempo, geram, então, uma "infinidade" de eus, aqui expostos para achincalhamento público. Esporadicamente, uma catarse textual, fluída como uma música, remove de minha mente ideias, como numa cirurgia de remoção de um nódulo no cérebro, benigno ou maligno, mas que, caso não fosse removido, obstruiria um espaço a ser ocupado.

Assim me despeço e peço que sejam benevolentes com todas essas palavras. A ferrugem que trava minhas articulações não permite muito mais do que isso. Não me entendam mal, mas não façam disso algo importante. Independente da leitura, o blog vê aqui sua função finita, seu sentido existencial plenamente realizado eternamente enquanto agora. Palavras permitiram um alívio da pressão nas artérias que alimentam a minha mente, é isso.