Escrever sobre a vida meio que contradiz tudo que eu penso sobre ela. É querer problematizar a existência. Quando na verdade, é tudo muito simples (não é não). Quando se vive com convicção de ideias, com certeza de que o presente é tudo aquilo que se pode viver (o passado, como diz o próprio nome, passou, e o futuro...), com aceitação e compreensão da nossa indiscutível incapacidade perante boa parte da vida, tudo se resume a viver. E falar qualquer outra coisa se torna redundante, a partir daí. É claro que, no fundo, tudo é uma grande confusão de sentimentos, incertezas, erros, arrependimentos, acertos, alegrias... Mas, sim, é possível enxergar claramente através disso tudo. Tirando o saldo, pesando na hipotética balança pós-mortis (pois é, depois de morrer eu acho que a gente vai ter um tempão pra ficar pensando besteira), o que sobra, na minha humilde visão, é o riso, o olhar, o beijo, o toque. As mais puras expressões do amor. Sobra aquela bagunça que fica a sua casa depois de uma festa com os amigos. Ou aquelas lembranças borradas da noite que se passou. A vida é complicada, mas não tem que ser difícil. Aproveite.