segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Jimi Hendrix
Ainda lembro-me (vagamente) do dia em que ouvi aquela guitarra pela primeira vez. Tinha por volta de 12 anos e uma imensa curiosidade sobre tudo que fugia do padrão. Vou confessar, ineditamente, odiei. Não estava pronto para tanto. Aquela microfonia que beirava o inescutável e agudos de ensurdecer qualquer um. É aquele tipo de coisa de se escuta, vê ou sente e dá aquela sensação: "que porra é esta?" Tentei esquecer e voltar para a minha vida normal e mundana. Inútil. Decidi dar outra chance pra aquele carinha a quem chamavam de melhor guitarrista do mundo (uma das poucas escolhas certas da civilização humana). Comecei a entender que a complexidade daquele som estava muito além do meu alcance e, conforme crescia como pessoa, adorava cada vez mais sua música. Vivia me perguntando o porquê daquilo. Numa música, eu ouvia a voz e a guitarra mais aveludadas do universo, na música seguinte, pura fúria e confusão. Hoje cheguei perto de conseguir explicitar o que sinto quando ouço Jimi Hendrix. Poucos artistas conseguiram captar a essência bela e doentia da natureza do homem do mesmo modo que ele. Toda a sujeira, todo o desconforto e dor nos ouvidos produzidos por aqueles sons não devem ser evitados, eles refletem o desespero causado pelas atitudes do "homo homini lupus". Juntamente com uma bateria "virada na moléstia" e um baixo fazendo a "cozinha" pra tudo isso, surge uma catarse de destruição, ira, ódio e revolta. Gritando por socorro, berrando desesperadamente por atenção. Logo em seguida, percebe-se a poeira baixando e o choro melodioso que é exalado da sua guitarra rasga e cicratiza. É um som que rompe qualquer barreira e inspira o que há de melhor em qualquer pessoa. É o amor na mais pura transcedentalidade.
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