Então, nessa semana eu levei alguns pontapés ideológicos que realmente me fizeram "acordar".
Percebi que todos, ou quase todos, ao meu redor me achavam meio sonhador. Pejorativamente falando. Talvez seja porque eu tento ao máximo me prender aos meus princípios e à minha ideologia, mesmo falhando frequentemente. Não é que eu não tenha os pés no chão. Eu procuro, antes de tudo, compreender racionalmente a realidade ao meu redor, analisando tudo com exterioridade, para depois tentar adequar a minha ideologia à realidade, sem abandonar o sonho. E, provavelmente por causa disso, nunca parei pra analisar friamente os meus próximos. E nessa semana essa análise veio a mim, como uma grande pedra que caiu numa lagoa mudando toda a configuração ao seu redor. Lembro, claro, que minhas análises não são meros julgamentos taxativos. Isso eu tento não fazer, mesmo acontecendo às vezes. Minha análise é, por definição, completamente FALHA e serve apenas para minha compreensão e possível reação para melhorar o mundo. Afinal, não sou perfeito nem melhor do que ninguém, então antes de exteriorizar uma parte dessa análise, lembro apenas que ela não tem a intenção de crucificar ninguém e, se tiver, esse alguém será eu, pois só eu e Deus (qualquer dia desses eu jogo minha definição de Deus e minhas crenças religiosas por aqui) podemos julgar que eu sou realmente um hipócrita e acertar.
O ponto principal de minha análise é que eu percebi como os sonhos estão destruídos no mundo.
Fui ao cinema com minha irmã, uma amiga dela e mais um amigo meu. Elas são crianças, mas percebi o quanto elas estão inseridas no contexto realista-capitalista-conformista. As crianças deveriam ser as responsáveis por guardar os sonhos em segurança e depois lembrá-los aos adultos. Mas vi as atitudes da duas, tão "independentes", rebeldes (só com a família, não contra o sistema), espertas, maliciosas (acho que exagerei um pouco nesse adjetivo hehe). Se afastaram de mim e do meu amigo no cinema, talvez por vergonha. Minha irmã queria ir fazer comprar e olhar as vitrines. Queria dinheiro. Mal prestaram atenção ao filme, uma animação, muito legal por sinal. Formulei algumas hipóteses:
-Minha irmã e sua amiga são uma exceção à regra e a inocência da infância permanece;
-Minha irmã e sua amiga já se tornaram adolescentes;
-Minha irmã e sua amiga "amadureceram" (quem foi que inventou que amadurecer era deixar de ser criança? Nem sei porque postei essa alternativa);
-Minha irmã e sua amiga retratam a infância atual, precoce e desiludida com a vida. Provavelmente se entregarão por completo ao consumo e a futilidade na adolescência, alegando que não há outra escolha e que ninguém pode mudar o mundo.
A última alternativa me parece a correta.
Depois disso fiquei mais atento para os sinais ao meu redor. E realmente houveram mais sinais.
O outro sinal que me alertou para a desilusão da sociedade chegou na gravação de uma música com a minha banda (também falarei sobre ela aqui depois :]). E foi o sinal mais triste e forte que eu senti nos últimos tempos. Acho que sou uma pessoa muito ruim por pensar isso, mas deve ser a realidade mesmo. Estávamos pensando na próxima música a gravar e como arrecadar dinheiro pra gravação. Primeiro, meu amigo, do qual eu já suspeitava a escolha da música e o motivo, não me surpreendeu. Disse que queria tal música porque ela era a mais pop e a que faria sucesso mais facilmente. Alegou que, "se quiséssemos fazer sucesso como a banda "X" (banda pop genérica), teríamos que escolher essa música para ganhar mais visualizações no youtube". Vos digo, meus caros leitores inexistentes, com a maior alegria, que eu realmente não quero fazer sucesso dessa maneira. Muito menos quero me igualar ao lixo cultural que predomina atualmente. Depois veio a surpresa: meu outro amigo, que realmente concorda com grande parte de minha ideologia e era meu parceiro de debates filosóficos, concordou com o primeiro. Usou o argumento que a maioria das "grandes bandas" fazem sucesso assim. Danem-se as grandes bandas. Danem-se também as bandas que eu gosto. Eu estou tentanto algo diferente por aqui. Algo melhor. Um membro concordou comigo, outro concordou apenas por futilidade e dois não opinaram concretamente. Pra completar, voltando pra casa, recebi, em meio a graves indeferências de minha pessoa, uma palestra sobre como eu não tinha como mudar o mundo.
Percebi como os sonhos estão mortos.
Espero que os meus não morram, pois acredito que os sonhos são a base para qualquer mudança. Um certo professor me disse um certo dia que por isso o mundo precisa de jovens. O mundo precisa de sonhos.