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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A função

Estimado leitor deste abandonado muquifo virtual,

Cá estou. Eis me aqui.

Primeiramente gostaria de pedir, clamar, implorar o perdão de meus assíduos consumidores de matéria textual pelo parcial fracasso da previamente proposta série Conhecendo o Recife. Parcial porque ela me serviu. Me serviu pois abriu meus olhos e revelou nuances de uma cidade altamente complexa e que ainda muito me intriga. E isso se confirma ainda mais agora que, longe de casa, sinto-me mais brasileiro, nordestino e recifense. Mais do que nunca. Cheguei, ainda em terras tupiniquins (obviamente), a realizar a primeira da expedições pela Cidade Maurícia por alguns bairros já conhecidos. Entretanto, por motivos de inconsistência metodológica, não pude dar cabo à mesma. Quem sabe, um dia retome-a.

Mas não vim aqui para fazer um pedido público de desculpas. Vim aqui para escrever. Não compreendo completamente os motivos que me levam a publicar tais rarefeitas e rebuscadas postagens. Inicialmente, acreditava que o vir-a-ser deste blog era uma plataforma de compartilhamento de ideias, um fomentador de buscas pela inalcançável verdade que maleavelmente nos escapa. Não acredito que este potencial esteja esgotado, muito menos que a permissividade de mudar de ideia que sempre regiu estas terras acabou. No entanto,  a linguagem (numa de suas metalinguísticas artimanhas) veio a permitir que o Coerência Metamórfica justificasse a si mesmo e, naturalmente mudasse de cor, de sentido, de função. Enxergo-o e Ele próprio o é, hoje, mais um depósito de ideias, um backup de expressão e linguagem. Como uma Penseira do Dumbledore, porém em estado de superposição quântica (no sentido de que, excluindo-se a indicação de data no canto superior direito, todos os posts guardam em si um pedaço de minha mente em diferentes estados e coexistem estáticos (no tempo), num ambiente que pode ser descrito como um alter ego virtual). Mais ainda, a observação sua provoca uma alteração em tal estado. Tal combinação de pedaço mental e leitura, ambos dependentes do tempo, geram, então, uma "infinidade" de eus, aqui expostos para achincalhamento público. Esporadicamente, uma catarse textual, fluída como uma música, remove de minha mente ideias, como numa cirurgia de remoção de um nódulo no cérebro, benigno ou maligno, mas que, caso não fosse removido, obstruiria um espaço a ser ocupado.

Assim me despeço e peço que sejam benevolentes com todas essas palavras. A ferrugem que trava minhas articulações não permite muito mais do que isso. Não me entendam mal, mas não façam disso algo importante. Independente da leitura, o blog vê aqui sua função finita, seu sentido existencial plenamente realizado eternamente enquanto agora. Palavras permitiram um alívio da pressão nas artérias que alimentam a minha mente, é isso.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Sobre a maconha (2)

E aí meu povo, este post é um "adendo" a uma postagem anterior, devido a recentes reflexões que fiz sobre o uso da maconha, enquanto criminalizada, e os males causados à sociedade. Para quem não viu o primeiro post, aqui segue o link: http://coerenciametamorfica.blogspot.com.br/2011/11/sobre-maconha.html.

Então, continuo afirmando tudo que foi dito nessa postagem, porém vim pensando recentemente: por que as pessoas que fazem uso da droga continuam utilizando-a, muitas delas completamente conscientes do prejuízo social causado por ela? Percebi que muitos não têm a percepção de que a guerra do tráfico é alimentada por eles, simplesmente porque ela não os perturba. Geralmente, quando tu, caro usuário, acendes um baseado na tua festinha ou na sacada do teu apartamento, nenhum policial vai bater na tua porta. As balas perdidas não chegam ao vigésimo andar. Os traficantes não vão aliciar teu irmão para o tráfico e destruir a "infância" de seus coleguinhas. E depois tu ainda pagas de humanista, de "paz-e-amor" e tudo mais.


Por fim, para as autoridades, na maioria dos casos, a diferença entre usuário e traficante é o poder aquisitivo. Se tem um favelado fumando maconha, é traficante. Se é rico, leva só um baculejo, é usuário, é a lei. Assim é muito fácil ser maconheiro.

Feliz 2013.

sábado, 24 de novembro de 2012

Imprevisibilidade

É interessante (e ao mesmo tempo assustador) perceber a quase completa falta de controle que nós temos sobre as nossas próprias vidas. A partir do ponto em que aceitamos viver em sociedade (ou seja, desde sempre), a nossa decisão se torna apenas um fator de influência, em meio a infinitos outros fatores gerados pela livre arbitrariedade do homem. Não que isso sempre represente algo ruim, pois há momentos em que nossas ações, se tomadas como únicas, poderiam se tornar repercussões desastrosas.

E não adianta planejar, se preocupar, esquematizar, imprevistos se chamam assim não por acaso.  E tomar consciência desses fatos implica interiorizar aceitação e resignação para a inevitável imprevisibilidade das consequências para nossos atos. Isso não significa exatamente a desistência perante um aparente desenrolar inesperado de acontecimentos, mas sim estar preparado para vivenciar as surpresas e reagir a elas "energicamente". Isso significa aprender a lidar com as nuances da estrada vital na qual todos nós estamos obrigatoriamente inseridos e com a orientação divina e todo o mistério a que está ligado o Seu propósito.

A consciência da imprevisibilidade nos convida a uma nova postura de vida. Ela nos propõe que vivamos plenamente, apreciando cada uma das belíssimas pedras que hão de surgir no nosso caminho.

Drummond, apreciando as pedras da vida dele.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

???

Quem vive
De preto no branco
Acaba perdendo todas as nuances
De tons de cinza

Quem vive no abismo da incerteza
Do questionamento, da dúvida permanente
Se renova
A cada nova verdade

Quem vive na sua própria incerteza
Eu tenho certeza
Que enxerga mais beleza
Em cada mudança
Que causa estranheza
A todos os outros viventes

E quem vive na pergunta não se perde
Porque sabe que não há lugar para se achar
Senão o próprio lugar
Em que, no dado momento, se está
Ou aquele lugar
Lá no infinito

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sobre a maconha


Então, antes iniciar este post, gostaria de esclarecer alguns pontos: por mais que o nome e os assuntos deste blog possam sugerir, não sou usuário da maconha e nunca experimentei a mesma. Todo e qualquer comentário feito aqui não é baseado cientificamente, apenas deduzido por estatísticas, senso comum ou lógica. Além disso, não escrevi isso para condenar atitudes de ninguém, apenas para expor algumas reflexões feitas após ouvir opiniões e argumentos muito convincentes sobre o assunto.
Sou a favor da legalização. Não que a maconha não seja prejudicial à saúde. Ela causa, até onde sei, danos ao sistema nervoso e também ao respiratório. Provavelmente é tão perigosa quanto o café, o bacon, as gorduras trans e alguns remédios, todos estes substâncias lícitas, e menos perigosa que drogas como o álcool e o tabaco. Meio contraditório, não? A criminalização da maconha está relacionada a outros fatores históricos, que eu não domino o suficiente para comentar. Há vários documentários por aí falando sobre isso, enfim...  O certo, creio eu, seria legalizar tudo, e fornecer cultura. O homem com conhecimento pode discernir por si só o que é conveniente e o que não é para ele.
Por que então não consumo? Acho que também seria contraditório me dizer pacifista e sustentar a base econômica do tráfico que parasita as cidades com violência, insegurança e destruição da perspectiva de uma vida digna de milhares de crianças que são coagidas desde cedo a fugir da educação para o tráfico. Se sou contra uma base constitucional, deveria lutar e votar para que ela mude, em vez de acobertar práticas à margem da lei, que vão junto com o tráfico.
Posso ter sido um pouco radical nesse último parágrafo, mas por via das dúvidas, quem quer fumar seu baseado em paz e pensa em diminuir um pouco os prejuízos sociais causados, faça como já recomendou o Planet Hemp: "não compre, plante!"

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre as anáforas, metalinguisticamente, e outras coisas

Sou coerente
Sou concordante
Sou cansativo
Sou repetitivo

Estou cansado
Estou desiludido
Estou com esperança
Estou abatido

Me sinto incapaz
De falar
De declarar
De explicar pra você

Fora isso,
Ainda não tou pronto pra concordar
Mas tou com preguiça de discutir
Então eu calo

Mesmo sabendo que vão me encher o saco
E vão ficar falando sem ter nada pra falar

domingo, 24 de abril de 2011

Às ervilhas!


Então me perguntarás, caro leitor: por onde andei nesses dois longos e dolorosos meses sem postagens? Economiza, pois, tua saliva e espera que a resposta te será dada.
Eu caminhei por ruas desertas, peguei jacaré em praias da Sibéria e toquei xilofone com Gil. Fora isso, as coisas vãs se apossaram com toda a força do meu horário, mas deixemos isso de lado e vamos ao que importa, que é o que realmente importa.
Passou-se o carnaval, as cinzas foram levadas pelo vento, passou-se a quaresma e passou-se a páscoa. Incubei-me durante um tempo, refleti, quebrei e cumpri promessas e mudei de convicções. Porém a vida ainda está aí fora, correndo como o sangue nas minhas veias e artérias. Às vezes ela escorre lentamente como uma gota de chuva que bateu na janela e não sabe se está pronta para cair ao chão. Tem hora que ela para, contradizendo o que dizia aquele nobre poeta. Entretanto, na maioria do tempo, ela corre. Vai à deriva de tudo, intrinsecamente imparcial e independente. Sem se importar com nada, escolhe quando, onde e como, com ou sem porquê. Cabe a nós, reles mortais, apreciar as pequenas e puras coisas. O amor platônico, o leve tocar do piano, as ervilhas... Oh, esses belos grãos. Como fazem diferença na nossa insignificante existência. Sabor tão enigmático, cor tão viva e imponente. Doce? Talvez. Bela? Sem dúvida. 
Não esperemos mais! Às ervilhas! Devoremo-las, com delicadeza. Apreciemos cada singular momento que nos seja concedido com sua presença. Sintamo-las em nossas mãos, em nossa boca, em nossas línguas. Tão agradável quanto saboroso seja. Ponto. Espero ter dado o reconhecimento adequado à nossa adorada leguminosa, que passou anos e anos esquecida e subestimada em latas de conserva. Que, a partir de agora, não faltem referências gloriosas à sua importância política, emocional, literária e econômica. Às ervilhas!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A arte da insensatez

E disse São Paulo: "Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus" (1 Cor 3, 18-19).

Não sei se vocês sabem, mas me identifico muito com o catolicismo. Acredito que há uma força superior, já que não há como a vida ter surgido do nada, (o que ocorreu antes do Big Bang? E antes disso? E antes disso? Só o sobrenatural explica, já que é eterno e não há antes do eterno) e que essa força (Deus, Alá, Buda, ou algo do tipo) rege o mundo através da ciência (que nada mais é que uma demonstração dos acontecimentos, a ciência não causa nada). Mas isso tudo é assunto pra outro post. Enfim, não sou inteiramente católico, nem acredito por completo na bíblia, mas essa passagem realmente é inspirada.
Trocando a passagem em miúdos, o que São Paulo quer dizer é que o homem é sempre a "tábula rasa" de John Locke. Porém, se John Locke dizia que o homem nascia como uma tábula rasa, São Paulo diz que o homem nasce, vive e morre como uma tábula rasa. Notei duas interpretações para as sábias palavras de São Paulo:

1. O homem, como ser ignorante que é, consegue praticar a proeza de cometer os "mesmos" erros frequentemente. O homem não aprende com sua própria história.

2. Se olharmos o conhecimento de um homem em comparação à todo o conhecimento existente e potencial, facilmente observa-se que o conhecimento de um homem é nulo, é desprezível. O homem é e sempre será um copo de água incompleto. O verdadeiro sábio reconhece que sabe tão pouco em relação ao conhecimento potencial que seu conhecimento é nulo, é na verdade, uma insensatez. O verdadeiro sábio, entretanto, mesmo sabendo que nunca será perfeito, não desiste de atingir a perfeição.

As duas interpretações são belas, mas vou me ater à segunda.Vê-se claramente que São Paulo foi altamente influenciado por Sócrates. Na verdade, essa passagem é uma aprofundação do "só sei que nada sei" socratiano. Se observarmos a história humana com mais atenção todos os grandes sábios em suas épocas disseram à sua maneira o mesmo: busque a perfeição, embora não possas atingi-la, busque o amor. Em minha opinião, a perfeição é o amor. Uma sociedade utópica seria regida pelo amor. Sócrates disse: "só sei que nada sei". Platão disse que a realidade como nós a conhecemos era uma pálida reprodução do mundo das Ideias. Aristóteles disse que todo ato era algo em potência, estava em constante melhoramento. São Paulo disse que o sábio era insensato. Locke disse que o homem era uma tábula rasa. Einstein disse que a busca da verdade era um domínio no qual seríamos crianças por toda a vida.
E Jesus disse: "amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
Então, meus caros, reconheçam suas respectivas insensatezas. Admitam-se imperfeitos para assim chegarem mais próximos da perfeição.
O homem é como um copo d'água incompleto que nunca fica cheio.
Mas nem por isso deve deixar de tentar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Manifesto da loucura

Por que não subverter valores? Por que não derrubar instituições falidas que promovem apenas a estagnação e a alienação, levando à deterioração do ser humano? A loucura é a única lucidez num mundo tão irracional e hipócrita. Chegou a hora de tomar uma nova roupagem, de deixar para trás tudo aquilo que te enfraquece e te faz mal. De repensar os atos e os próprios pensamentos. "Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca." "Faze o que tu queres será o todo da Lei." Pouco importa sua ideologia, sua religião, seu nome, suas riquezas. Que o valor seja dado ao que realmente vale. O amor. Façamos então, agora mesmo, a nossa própria revolução utópica dentro de nós mesmos, com consenquências exteriores. Não vivamos só de aparências. Então, meus caros, deixem que nos chamem de loucos, sonhadores, insanos ou qualquer outra denúncia vazia. Mas não ignorem os seus instintos, nem se deixem dominar por eles. Não adotem um dogma para si mesmos. Escutem os outros e escutem a si mesmos. "Compelle intrare!" Deixem que suas almas experimentem tudo isso. Amem. Amém. Que assim seja.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Confusão de pensamentos

Então, peguei-me escrevendo, apagando e reescrevendo este post, cada vez com uma ideia e um pensamento diferente, às vezes até contraditório ao seu antecessor. Dei-me conta de que é disso que se trata o blog: metamorfismo, mudança, avanço, vanguarda e decidi fazer um post justamente sobre isso.
Como já disse Hitler, (é, meus caros, citar Hitler pode parecer algo absurdo, mas ninguém é de todo mal e, como diria meu professor de literatura, "a arte é singular na criação e plural na interpretação". Assim também o farei com Hitler) "acordos foram feitos para serem quebrados", ou algo do gênero.Tenho certeza que  Não sei se a intenção dele no texto é diferente da minha interpretação, mas eu concordo plenamente com essa frase. Convicções existem nada mais, nada menos do que para deixarem de existir. Às vezes chego a duvidar dessa minha única e própria exceção "conviccionária". Eis o dilema dos ceticistas e todos os outros caçadores da verdade. Não sei se um dia mudarei meu ponto de vista novamente, mas no dado momento (que já é passado no dado momento de agora) prefiro afirmar a minha completa ignorância. É mais fácil, confortável e racional se admitir contraditório. Parafraseio agora o nosso mais famoso autor defunto, também consciente de que esta minha interpretação possa não ter sido sua intenção: "Deus te livre, leitor, de uma ideia fixa".
É, consegui concluir o post, mas completamente diferente da minha intenção original. Qual é a diferença? Seria inevitavelmente diferente no momento seguinte.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Panorama social

Como introdução, nada melhor para uma primeira postagem do que uma visão não muito aprofundada do mundo no geral. Só pra descontrair. Saquem este vídeo, feito por Ernest Cline. Ele descreve um pouco do quão mesquinho e irracional é o ser humano. Às vezes.
O homem esqueceu a sua real essência. Foi aí que os problemas começaram.