Nesse mar de gente
Que a gente vive
A gente precisa lembrar
Que toda gente no meio
De toda essa gente
Também é gente
Que nem a gente
Tem gente que fala tchê
E gente que fala oxente
Tem gente que fala chicrete
E na boca,
Só tem os dente da frente
Tem gente que fala bonito,
É poliglota e tem retórica
Excelente
Mas...
É tudo gente
Que nem a gente
Tem gente que rouba, que mata, que estupra
E ainda se diz inocente
Tem gente que é ruim das ideias
E é doente da mente
Tem gente má intencionada
Que só quer o mal da gente
E ainda tem gente que diz
Que quem não faz
O que as gentes da tv faz
Não é gente
Que quem não vive que nem robô
E na garagem não tem um carro potente
Não é gente
Porém, apesar de todos os pesares,
Todos eles também são gente (os que são e os que não são)
Que nem a gente
Tem coisas na vida
Que desgentificam a gente
Mas é só querer ser gente
E tentar acreditar na pureza
De viver alegremente
Que qualquer um volta a ser gente
E antes de me despedir
Só tenho uma mensagem pra minha gente
A gente é homem, é bicho
É ruim, é bom, às vezes pior ainda
Contudo,
O que importa é amar e fazer o bem das outras gentes
Porque, antes de tudo isso,
A gente é gente.
sábado, 27 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Severino
Seu nome Severino
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão
Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo
Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe
Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina
Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...
Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão
Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo
Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe
Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina
Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...
Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata
sábado, 16 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
Deixe-se acreditar
Even tough the glass-house smothers you
(Okay, the grids are protection
But so are the chains
And all the H-bombs)
I mean, there's no point in
Losing your faith
Still, there's also no point in
Telling everybody everything is alright
É a minha escolha
Ficar em cima do muro
Para toda a eternidade
Anyway, just warning you:
If I fall
Don't pull me back
Let it happen, naturally
As coisas vão se ajeitar
In unknown ways
Simplesmente deixe-se acreditar
(Okay, the grids are protection
But so are the chains
And all the H-bombs)
I mean, there's no point in
Losing your faith
Still, there's also no point in
Telling everybody everything is alright
É a minha escolha
Ficar em cima do muro
Para toda a eternidade
Anyway, just warning you:
If I fall
Don't pull me back
Let it happen, naturally
As coisas vão se ajeitar
In unknown ways
Simplesmente deixe-se acreditar
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Tempo
A maior das preocupações humanas
Facilmente perceptível, inexplicável
A própria intrinsecidade
Claramente impalpável
Na escuridão do dia
Invisível aos olhos seus e meus
Mas a morte revelará
O que até agora
A vida não pôde explicar
*Pode deixar, eu conto
Agora não
Só depois
Nunca
Quando acabar, tá?
No dia que a noite for bem escura, apesar da forte luz
Você quer saber
Venderia a própria alma
Pra comprar a resposta
Apesar disso, espere
Pois falta pouco
Muito pouco
Pouco?
É claro
Você entenderá.
Facilmente perceptível, inexplicável
A própria intrinsecidade
Claramente impalpável
Na escuridão do dia
Invisível aos olhos seus e meus
Mas a morte revelará
O que até agora
A vida não pôde explicar
*Pode deixar, eu conto
Agora não
Só depois
Nunca
Quando acabar, tá?
No dia que a noite for bem escura, apesar da forte luz
Você quer saber
Venderia a própria alma
Pra comprar a resposta
Apesar disso, espere
Pois falta pouco
Muito pouco
Pouco?
É claro
Você entenderá.
domingo, 24 de abril de 2011
Às ervilhas!
Então me perguntarás, caro leitor: por onde andei nesses dois longos e dolorosos meses sem postagens? Economiza, pois, tua saliva e espera que a resposta te será dada.
Eu caminhei por ruas desertas, peguei jacaré em praias da Sibéria e toquei xilofone com Gil. Fora isso, as coisas vãs se apossaram com toda a força do meu horário, mas deixemos isso de lado e vamos ao que importa, que é o que realmente importa.
Passou-se o carnaval, as cinzas foram levadas pelo vento, passou-se a quaresma e passou-se a páscoa. Incubei-me durante um tempo, refleti, quebrei e cumpri promessas e mudei de convicções. Porém a vida ainda está aí fora, correndo como o sangue nas minhas veias e artérias. Às vezes ela escorre lentamente como uma gota de chuva que bateu na janela e não sabe se está pronta para cair ao chão. Tem hora que ela para, contradizendo o que dizia aquele nobre poeta. Entretanto, na maioria do tempo, ela corre. Vai à deriva de tudo, intrinsecamente imparcial e independente. Sem se importar com nada, escolhe quando, onde e como, com ou sem porquê. Cabe a nós, reles mortais, apreciar as pequenas e puras coisas. O amor platônico, o leve tocar do piano, as ervilhas... Oh, esses belos grãos. Como fazem diferença na nossa insignificante existência. Sabor tão enigmático, cor tão viva e imponente. Doce? Talvez. Bela? Sem dúvida.
Não esperemos mais! Às ervilhas! Devoremo-las, com delicadeza. Apreciemos cada singular momento que nos seja concedido com sua presença. Sintamo-las em nossas mãos, em nossa boca, em nossas línguas. Tão agradável quanto saboroso seja. Ponto. Espero ter dado o reconhecimento adequado à nossa adorada leguminosa, que passou anos e anos esquecida e subestimada em latas de conserva. Que, a partir de agora, não faltem referências gloriosas à sua importância política, emocional, literária e econômica. Às ervilhas!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Cores de odor cítrico e pungente
Três horas da madrugada. Acordo suado, sentindo aquele calor característico da pólis recifense. Ouço os habituais barulhos da noite e deixo a minha mente divagar, tentando retornar ao sonho que tive. Ou ao menos me lembrar dele...
...
...
...
O relógio da sala bate quatro horas da manhã. Acordo novamente. Levanto-me e percebo que tentar dormir seria um esforço inútil. Imagens passam rapidamente pelos meus olhos. Seus cabelos balançando ao mais puro clichê do vento. Seus olhos me olhando sem entender. Não há mais nada para entender. Tudo o que sinto é a angústia de ser tão incapaz de lhe dizer algo. E o momento que poderia durar para sempre não dura mais que três segundos. Silenciosos segundos que me torturaram e continuam a me torturar permanentemente com o arrependimento. A embriaguez vai passando e levando consigo a dormência, tornando a dor quase insuportável. Depois de tão longa sessão de auto flagelo, mergulho no marasmo dos sonhos novamente, onde não há sofrimento, melancolia, ilusão ou desilusão. Só há cores de odor cítrico e pungente.
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