segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Jimi Hendrix
Ainda lembro-me (vagamente) do dia em que ouvi aquela guitarra pela primeira vez. Tinha por volta de 12 anos e uma imensa curiosidade sobre tudo que fugia do padrão. Vou confessar, ineditamente, odiei. Não estava pronto para tanto. Aquela microfonia que beirava o inescutável e agudos de ensurdecer qualquer um. É aquele tipo de coisa de se escuta, vê ou sente e dá aquela sensação: "que porra é esta?" Tentei esquecer e voltar para a minha vida normal e mundana. Inútil. Decidi dar outra chance pra aquele carinha a quem chamavam de melhor guitarrista do mundo (uma das poucas escolhas certas da civilização humana). Comecei a entender que a complexidade daquele som estava muito além do meu alcance e, conforme crescia como pessoa, adorava cada vez mais sua música. Vivia me perguntando o porquê daquilo. Numa música, eu ouvia a voz e a guitarra mais aveludadas do universo, na música seguinte, pura fúria e confusão. Hoje cheguei perto de conseguir explicitar o que sinto quando ouço Jimi Hendrix. Poucos artistas conseguiram captar a essência bela e doentia da natureza do homem do mesmo modo que ele. Toda a sujeira, todo o desconforto e dor nos ouvidos produzidos por aqueles sons não devem ser evitados, eles refletem o desespero causado pelas atitudes do "homo homini lupus". Juntamente com uma bateria "virada na moléstia" e um baixo fazendo a "cozinha" pra tudo isso, surge uma catarse de destruição, ira, ódio e revolta. Gritando por socorro, berrando desesperadamente por atenção. Logo em seguida, percebe-se a poeira baixando e o choro melodioso que é exalado da sua guitarra rasga e cicratiza. É um som que rompe qualquer barreira e inspira o que há de melhor em qualquer pessoa. É o amor na mais pura transcedentalidade.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Sobre as anáforas, metalinguisticamente, e outras coisas
Sou coerente
Sou concordante
Sou cansativo
Sou repetitivo
Estou cansado
Estou desiludido
Estou com esperança
Estou abatido
Me sinto incapaz
De falar
De declarar
De explicar pra você
Fora isso,
Ainda não tou pronto pra concordar
Mas tou com preguiça de discutir
Então eu calo
Mesmo sabendo que vão me encher o saco
E vão ficar falando sem ter nada pra falar
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Tempo
Caríssimos e escassos leitores deste imundo recinto das letras,
Como algum de vocês talvez tenha notado, estou novamente fazendo um post sobre o tempo. É engraçado, pois isso demonstra mais uma vez o quão indefinido esse tema é (no último post, fui tentar definir o tempo e acabei fazendo poesia...). Após algumas conversas sobre dimensões, teoria das supercordas, etc, estávamos discutindo sobre a nossa capacidade de perceber as dimensões. Bem, obviamente, a primeira (comprimento) e a segunda (altura), são facilmente perceptíveis visualmente. A terceira (profundidade), apesar do que alguns pensam, não é exatamente percebida pela visão. A nossa visão usa de alguns artifícios (perspectiva, sombra,...) para nos dar uma noção da terceira dimensão, mas nós não a percebemos com exatidão (você consegue ver todos os lados de um cubo opaco ao mesmo tempo?) Enfim, chegou-se ao dilema da quarta dimensão, que para muitos seria o tempo. Bem, primeiro, para verificar a existência e perceptibilidade de tal dimensão, deve-se definir o tempo. Esse é o problema. O tempo é um daqueles conceitos básicos, que você usa para definir outros conceitos, mas ninguém consegue explicar o tempo por si só (não que eu saiba). Mas aí eu me questionei, será que realmente precisamos saber O QUE É para provar que EXISTE? Fiz algumas sinapses e cheguei à seguinte conclusão: não. Bem, o mundo existe (eu acho, mas é assunto pra outro post). Se o mundo existe, existe movimento, energia, força, aceleração, enfim, milhares de outros conceitos que só existem por meio do tempo. Admitindo que o mundo existe, o tempo existe. Se o tempo não existisse, seríamos apenas uma fotografia.
No univeso desse texto e dessa foto, o tempo não existe, já parou pra pensar nisso?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A ciência é tão abstrata/"esotérica"/lógica quanto a religião
Fala meu povo, tudo de boa? O meu artigo argumentativo/investigativo de hoje vai ser um pouco diferente. Há muito que venho pensando neste pensamento e finalmente consegui um embasamento teórico melhor para postá-lo. Espero que não tenha cometido nenhuma falácia grave. Como estou um pouco cansado, não vai ser cheio dos rebuscamentos que embelezam o texto, então é isso.
Bem, como sempre, o título deste post não poderia ser mais sugestivo. A ideia é a seguinte: muitos dos "ateus convictos" com quem convivo ou converso esporadicamente argumentam que a religião e existência de um ser superior são muito abstratas, são "esotéricas" ou não fazem uso da lógica. Estou aqui para tentar mostrar-lhes um outro aspecto.
Primeiramente, sim, a religião é lógica. Como já cansei-me muito por ter errado alguma citação de Tomás de Aquino e ter tido que lutar durante horas de argumento, vou apenas colar aqui a primeira via de demonstração da existência divina. "Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido." (Fonte: Wikipédia). Satisfeitos?
Em segundo lugar, sim, a religião é abstrata, o que não gera empecilho algum. O problema em ser algo abstrato no mundo atual é que, com a influência do alto pragmatismo e "cienticifismo" americano, as pessoas tomam abstração por um sentido pejorativo como se fosse algo que não existisse em vez de questionar a área de existência da coisa (dragões, unicórnios, amor e saudade existem, pois antes de tudo são ideias), mas mesmo assim não é o caso da religião. A religião é, por exemplo, tão abstrata quanto à matemática. Você já viu um número, um quadrado ou um círculo? Obviamente não, tudo que se pode ver são representações dos mesmos. Os números complexos existem fisicamente, como quantidade? Não, eles apenas são representados e nem por isso deixam de implicar em cálculos que se manifestam e se provam empiricamente e materialmente. Do mesmo modo, pode-se dizer que a religião é assim. Alguém já viu Deus? Não (não me venham dizer que fisicamente já tocaram Deus, etc., etc., tocaram ou sentiram uma representação do mesmo). E nem por isso o mundo deixou de existir.
Por último, sim a ciência é "esotérica" tanto quanto a religião. Como toda boa discussão religiosa, no fim se chega a pergunta: "certo, supondo que esse tal Deus existe, como ele criou o mundo? E todas as aberrações que nascem? E as guerras? E as mortes inocentes, como você explica isso?" E a resposta seria a mesma de sempre: "não sei, do mesmo modo que você não pode me provar que o Big Bang existe". Meus caros, deve-se compreender o seguinte, há uma limitação para a abrangência do entender do homem. O homem pode, sim, provar um átomo com a tecnologia, porém tudo isso é inexato, tanto que se recicla periodicamente. Sempre gosto de fazer uma analogia com uma reta perfeita. Ela não existe fisicamente, nada é completamente reto, a cada unidade de comprimento que o homem conseguir pensar, a reta se tornará menos reta. O que ronda a nossa sociedade é uma extrema ignorância e desprezo pelos saberes antigos. Por que acreditar num átomo? Porque alguém leu em um livro? E a Bíblia, o que é? Você vai dizer que milhares de cientistas estudaram isso durante anos e anos. Por quanto tempo o homem busca "Deus"? A própria duração do homem na Terra e a duração dessa pesquisa se confundem. Tudo o que peço, caro leitor, é que o senhor pense muito antes de simplesmente seguir uma hipótese "lógica". Peço que questione todo e qualquer saber e busque o conhecimento. Como diria Gil: "procure saber, meu filho, procure saber".
"Procure sabeeeer, meu filho, procure saber."
sábado, 27 de agosto de 2011
Gente
Nesse mar de gente
Que a gente vive
A gente precisa lembrar
Que toda gente no meio
De toda essa gente
Também é gente
Que nem a gente
Tem gente que fala tchê
E gente que fala oxente
Tem gente que fala chicrete
E na boca,
Só tem os dente da frente
Tem gente que fala bonito,
É poliglota e tem retórica
Excelente
Mas...
É tudo gente
Que nem a gente
Tem gente que rouba, que mata, que estupra
E ainda se diz inocente
Tem gente que é ruim das ideias
E é doente da mente
Tem gente má intencionada
Que só quer o mal da gente
E ainda tem gente que diz
Que quem não faz
O que as gentes da tv faz
Não é gente
Que quem não vive que nem robô
E na garagem não tem um carro potente
Não é gente
Porém, apesar de todos os pesares,
Todos eles também são gente (os que são e os que não são)
Que nem a gente
Tem coisas na vida
Que desgentificam a gente
Mas é só querer ser gente
E tentar acreditar na pureza
De viver alegremente
Que qualquer um volta a ser gente
E antes de me despedir
Só tenho uma mensagem pra minha gente
A gente é homem, é bicho
É ruim, é bom, às vezes pior ainda
Contudo,
O que importa é amar e fazer o bem das outras gentes
Porque, antes de tudo isso,
A gente é gente.
Que a gente vive
A gente precisa lembrar
Que toda gente no meio
De toda essa gente
Também é gente
Que nem a gente
Tem gente que fala tchê
E gente que fala oxente
Tem gente que fala chicrete
E na boca,
Só tem os dente da frente
Tem gente que fala bonito,
É poliglota e tem retórica
Excelente
Mas...
É tudo gente
Que nem a gente
Tem gente que rouba, que mata, que estupra
E ainda se diz inocente
Tem gente que é ruim das ideias
E é doente da mente
Tem gente má intencionada
Que só quer o mal da gente
E ainda tem gente que diz
Que quem não faz
O que as gentes da tv faz
Não é gente
Que quem não vive que nem robô
E na garagem não tem um carro potente
Não é gente
Porém, apesar de todos os pesares,
Todos eles também são gente (os que são e os que não são)
Que nem a gente
Tem coisas na vida
Que desgentificam a gente
Mas é só querer ser gente
E tentar acreditar na pureza
De viver alegremente
Que qualquer um volta a ser gente
E antes de me despedir
Só tenho uma mensagem pra minha gente
A gente é homem, é bicho
É ruim, é bom, às vezes pior ainda
Contudo,
O que importa é amar e fazer o bem das outras gentes
Porque, antes de tudo isso,
A gente é gente.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Severino
Seu nome Severino
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão
Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo
Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe
Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina
Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...
Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão
Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo
Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe
Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina
Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...
Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata
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