quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A ciência é tão abstrata/"esotérica"/lógica quanto a religião

Fala meu povo, tudo de boa? O meu artigo argumentativo/investigativo de hoje vai ser um pouco diferente. Há muito que venho pensando neste pensamento e finalmente consegui um embasamento teórico melhor para postá-lo. Espero que não tenha cometido nenhuma falácia grave. Como estou um pouco cansado, não vai ser cheio dos rebuscamentos que embelezam o texto, então é isso.

Bem, como sempre, o título deste post não poderia ser mais sugestivo. A ideia é a seguinte: muitos dos "ateus convictos" com quem convivo ou converso esporadicamente argumentam que a religião e existência de um ser superior são muito abstratas, são "esotéricas" ou não fazem uso da lógica. Estou aqui para tentar mostrar-lhes um outro aspecto.

Primeiramente, sim, a religião é lógica. Como já cansei-me muito por ter errado alguma citação de Tomás de Aquino e ter tido que lutar durante horas de argumento, vou apenas colar aqui a primeira via de demonstração da existência divina. "Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido." (Fonte: Wikipédia). Satisfeitos?

Em segundo lugar, sim, a religião é abstrata, o que não gera empecilho algum. O problema em ser algo abstrato no mundo atual é que, com a influência do alto pragmatismo e "cienticifismo" americano, as pessoas tomam abstração por um sentido pejorativo como se fosse algo que não existisse em vez de questionar a área de existência da coisa (dragões, unicórnios, amor e saudade existem, pois antes de tudo são ideias), mas mesmo assim não é o caso da religião. A religião é, por exemplo, tão abstrata quanto à matemática. Você já viu um número, um quadrado ou um círculo? Obviamente não, tudo que se pode ver são representações dos mesmos. Os números complexos existem fisicamente, como quantidade? Não, eles apenas são representados e nem por isso deixam de implicar em cálculos que se manifestam e se provam empiricamente e materialmente. Do mesmo modo, pode-se dizer que a religião é assim. Alguém já viu Deus? Não (não me venham dizer que fisicamente já tocaram Deus, etc., etc., tocaram ou sentiram uma representação do mesmo). E nem por isso o mundo deixou de existir.

Por último, sim a ciência é "esotérica" tanto quanto a religião. Como toda boa discussão religiosa, no fim se chega a pergunta: "certo, supondo que esse tal Deus existe, como ele criou o mundo? E todas as aberrações que nascem? E as guerras? E as mortes inocentes, como você explica isso?" E a resposta seria a mesma de sempre: "não sei, do mesmo modo que você não pode me provar que o Big Bang existe". Meus caros, deve-se compreender o seguinte, há uma limitação para a abrangência do entender do homem. O homem pode, sim, provar um átomo com a tecnologia, porém tudo isso é inexato, tanto que se recicla periodicamente. Sempre gosto de fazer uma analogia com uma reta perfeita. Ela não existe fisicamente, nada é completamente reto, a cada unidade de comprimento que o homem conseguir pensar, a reta se tornará menos reta. O que ronda a nossa sociedade é uma extrema ignorância e desprezo pelos saberes antigos. Por que acreditar num átomo? Porque alguém leu em um livro? E a Bíblia, o que é? Você vai dizer que milhares de cientistas estudaram isso durante anos e anos. Por quanto tempo o homem busca "Deus"? A própria duração do homem na Terra e a duração dessa pesquisa se confundem. Tudo o que peço, caro leitor, é que o senhor pense muito antes de simplesmente seguir uma hipótese "lógica". Peço que questione todo e qualquer saber e busque o conhecimento. Como diria Gil: "procure saber, meu filho, procure saber".

"Procure sabeeeer, meu filho, procure saber."

sábado, 27 de agosto de 2011

Gente

Nesse mar de gente
Que a gente vive
A gente precisa lembrar
Que toda gente no meio
De toda essa gente
Também é gente
Que nem a gente

Tem gente que fala tchê
E gente que fala oxente
Tem gente que fala chicrete
E na boca,
Só tem os dente da frente
Tem gente que fala bonito,
É poliglota e tem retórica
Excelente
Mas...
É tudo gente
Que nem a gente

Tem gente que rouba, que mata, que estupra
E ainda se diz inocente
Tem gente que é ruim das ideias
E é doente da mente
Tem gente má intencionada
Que só quer o mal da gente
E ainda tem gente que diz
Que quem não faz
O que as gentes da tv faz
Não é gente
Que quem não vive que nem robô
E na garagem não tem um carro potente
Não é gente
Porém, apesar de todos os pesares,
Todos eles também são gente (os que são e os que não são)
Que nem a gente

Tem coisas na vida
Que desgentificam a gente
Mas é só querer ser gente
E tentar acreditar na pureza
De viver alegremente
Que qualquer um volta a ser gente


E antes de me despedir
Só tenho uma mensagem pra minha gente
A gente é homem, é bicho
É ruim, é bom, às vezes pior ainda
Contudo,
O que importa é amar e fazer o bem das outras gentes
Porque, antes de tudo isso,
A gente é gente.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Severino

Seu nome Severino
Um e sessenta de estatura
E na pele a rachadura
Das agruras do sertão

Seu nome Severino
Calado e do olho fundo
E gostava desde menino
De falar das coisas do mundo

Do bem-ti-vi, xique-xique
Mandacaru e pau-a-pique
E da lua cheia que via
Da chapada do Araripe

Seu nome Severino
Seu chão Severino
Sua vida Severina
Sua morte Severina

Esse é o mesmo Severino
De Ramos e de Quirino
De Ariano e do destino
Que a outros tantos foi reservado...

Nem o primeiro nem o último
Filho desta terra ingrata
Que exclui o nordestino
E que por pouco não o mata


sábado, 16 de julho de 2011

Ei, escuta só o silêncio

...
...
...
...



...
...
...
...




                                          (Só dá pra ouvir o barulho da chuva.)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Deixe-se acreditar

Even tough the glass-house smothers you
(Okay, the grids are protection
But so are the chains
And all the H-bombs)
I mean, there's no point in
Losing your faith
Still, there's also no point in
Telling everybody everything is alright

É a minha escolha
Ficar em cima do muro
Para toda a eternidade
Anyway, just warning you:
If I fall
Don't pull me back

Let it happen, naturally
As coisas vão se ajeitar
In unknown ways
Simplesmente deixe-se acreditar

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tempo

A maior das preocupações humanas
Facilmente perceptível, inexplicável
A própria intrinsecidade

Claramente impalpável
Na escuridão do dia
Invisível aos olhos seus e meus

Mas a morte revelará
O que até agora
                       A vida não pôde explicar

                  *Pode deixar, eu conto

        Agora não


                             Só depois

Nunca

         Quando acabar,           tá?


No dia que     a noite         for               bem escura, apesar                                  da forte     luz

Você quer saber
     Venderia a própria alma
Pra comprar a resposta

Apesar disso, espere
Pois falta pouco
Muito pouco

Pouco?
É claro
Você entenderá.

domingo, 24 de abril de 2011

Às ervilhas!


Então me perguntarás, caro leitor: por onde andei nesses dois longos e dolorosos meses sem postagens? Economiza, pois, tua saliva e espera que a resposta te será dada.
Eu caminhei por ruas desertas, peguei jacaré em praias da Sibéria e toquei xilofone com Gil. Fora isso, as coisas vãs se apossaram com toda a força do meu horário, mas deixemos isso de lado e vamos ao que importa, que é o que realmente importa.
Passou-se o carnaval, as cinzas foram levadas pelo vento, passou-se a quaresma e passou-se a páscoa. Incubei-me durante um tempo, refleti, quebrei e cumpri promessas e mudei de convicções. Porém a vida ainda está aí fora, correndo como o sangue nas minhas veias e artérias. Às vezes ela escorre lentamente como uma gota de chuva que bateu na janela e não sabe se está pronta para cair ao chão. Tem hora que ela para, contradizendo o que dizia aquele nobre poeta. Entretanto, na maioria do tempo, ela corre. Vai à deriva de tudo, intrinsecamente imparcial e independente. Sem se importar com nada, escolhe quando, onde e como, com ou sem porquê. Cabe a nós, reles mortais, apreciar as pequenas e puras coisas. O amor platônico, o leve tocar do piano, as ervilhas... Oh, esses belos grãos. Como fazem diferença na nossa insignificante existência. Sabor tão enigmático, cor tão viva e imponente. Doce? Talvez. Bela? Sem dúvida. 
Não esperemos mais! Às ervilhas! Devoremo-las, com delicadeza. Apreciemos cada singular momento que nos seja concedido com sua presença. Sintamo-las em nossas mãos, em nossa boca, em nossas línguas. Tão agradável quanto saboroso seja. Ponto. Espero ter dado o reconhecimento adequado à nossa adorada leguminosa, que passou anos e anos esquecida e subestimada em latas de conserva. Que, a partir de agora, não faltem referências gloriosas à sua importância política, emocional, literária e econômica. Às ervilhas!