segunda-feira, 10 de março de 2014

Conhecendo o Recife #0 - Começando

Distinto e nobre leitor deste estapafúrdio recinto de letras,

Após um longo tempo sem postagens, decidi retornar e tomar vergonha na cara para encarar (retomar) meu "novo" projeto: conhecer o Recife. O que me trouxe de volta a terras tão longínquas? Bem, caso não saibam, pretendo viajar. (Em breve, para a Chapada Diamantina, em setembro para a Terra da Rainha, pelo Ciência sem Fronteiras.) Então, nada mais justo do que, antes de conhecer Londres e terras adjacentes, conhecer minha própria cidade, minhas raízes, meu chão.

Pois bem, voltando ao Recife. Tive essa ideia de dar uma de turista pela minha cidade, após ler uma reportagem numa edição especial da revista Algo Mais. Citando a própria:

"Em meados do século passado, o poeta e jornalista Eugênio Coimbra Júnior mantinha o hábito de visitar de ônibus o bairro da Várzea. Ia e voltava desfrutando da paisagem sempre como se fosse a primeira vez. O exemplo de Coimbra inspira um desafio: quem pode dizer que conhece o Recife tão bem que não se surpreenda com novas revelações?"

Tomei esse desafio pra mim e aqui explico como pretendo cumpri-lo. Primeiramente, tomei como base a divisão político-administrativa de Recife, em 6 RPA's (Centro,  Norte, Nordeste, Oeste, Sudoeste e Sul) e então sua divisão em bairros. Como não tenho a pretensão de fazer um estudo científico de Recife, segui minha intuição e meu pequeno breve conhecimento sobre a cidade, para traçar um roteiro que seja interessante para mim (e porventura para quem se arriscar a ler sobre isso). Não pretendo divulgar o roteiro completo (até porque este não existe), mas digo que começarei pelo meu bairro, Casa Forte, na RPA 3, Norte. Vou aproveitar minhas curtas férias e começar: não espero que esse processo seja algo linear, constante, pois meu tempo é confuso, mas um começo é um começo e ponto. Qualquer sugestão, estamos aí!

domingo, 5 de maio de 2013

Vida

Hoje me deu uma vontade de falar da vida. Depois de ler um texto lindo foda sobre "O que falar sobre alguém que está prestes a morrer?" de um cara chamado Frederico Mattos, bateu essa vontade. E, à luz da clareza de ideias, da limpeza mental que só uma boa dor de cabeça proporciona, resolvi escrever esse post.

Escrever sobre a vida meio que contradiz tudo que eu penso sobre ela. É querer problematizar a existência. Quando na verdade, é tudo muito simples (não é não). Quando se vive com convicção de ideias, com certeza de que o presente é tudo aquilo que se pode viver (o passado, como diz o próprio nome, passou, e o futuro...), com aceitação e compreensão da nossa indiscutível incapacidade perante boa parte da vida, tudo se resume a viver. E falar qualquer outra coisa se torna redundante, a partir daí. É claro que, no fundo, tudo é uma grande confusão de sentimentos, incertezas, erros, arrependimentos, acertos, alegrias... Mas, sim, é possível enxergar claramente através disso tudo. Tirando o saldo, pesando na hipotética balança pós-mortis (pois é, depois de morrer eu acho que a gente vai ter um tempão pra ficar pensando besteira), o que sobra, na minha humilde visão, é o riso, o olhar, o beijo, o toque. As mais puras expressões do amor. Sobra aquela bagunça que fica a sua casa depois de uma festa com os amigos. Ou aquelas lembranças borradas da noite que se passou. A vida é complicada, mas não tem que ser difícil. Aproveite.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Conhecendo o Recife!

Assíduos leitores do meu pouco visitado blog,

As férias chegaram, e com elas, um pouco mais de tempo para me empenhar a realizar antigos projetos. Há tempos, penso o quão pouco eu conheço o Recife, mesmo amando a minha calorenta cidade. Então, resolvi empreender uma "viagem" por alguns pontos da nossa pólis. De bicicleta, carro, barco, avião, ou a pé, percorrerei lugares turísticos, conhecidos ou não, emblemáticos, ou simplesmente lugares que eu acho que possuem um ambiente interessante. E para não passar em branco, compartilharei tudo aqui com vocês, nessa nova série do blog: Conhecendo o Recife. Ainda não sei quantos posts terão a série ou com que regularidade será postada, mas em breve virá o primeiro post, com fotos, vídeos, textos, músicas, enfim tudo o que aquele local evocou em minha memória.

Abraços e até breve,

Vinícius Almeida.

sábado, 20 de abril de 2013

Ode ao tempo

Ó tempo
Deus inconsciente de nossa existência
Ou melhor, a existência (pois afinal, onde estamos, senão boiando no espaço cósmico do tempo, seguindo no sentido do caos)
Criador e destruidor do ócio

Ó tempo
Arma apontada diretamente à minha cabeça
Lembrando-me, a cada instante
Do nosso eminente "fim"
Que não é nada mais que
A destruição do tempo
A permanência
Estática


terça-feira, 9 de abril de 2013

Sobre o homossexualismo

O dilema ético e constitucional religião versus homossexualismo é algo teologicamente muito sério para ser tomado simplesmente como uma guerra entre ativistas gays e radicais exaltados. Por que penso isso?

Sob a ótica Católica Apostólica Romana, o homossexualismo é algo errado, é um pecado, vai contra a ordem planejada por Deus. Entretanto, os católicos, por sua doutrina, não devem julgar, muito menos odiar a ninguém. O principal mandamento cristão é o do amor ao próximo. Porém, justamente por isso, o cristão tem o dever de tentar prestar ajuda ao pecador. O próprio Jesus disse que veio pelos pecadores. Aí se encontra o primeiro dilema: como pode um cristão cumprir seu papel de ajudar ao próximo, tentando "salvá-lo" do pecado, sem ofender o pecador, sem ser enxergado por ele como um discriminador?

O segundo dilema, ainda mais sério, se encontra no âmbito legal. Por lei, é proibido incitar o ódio e a discriminação contra qualquer diferença individual. Se uma pessoa qualquer, publica na sua rede social: "roubar é errado", ela está divulgando aos outros os seus conceitos éticos, suas convicções do que é bom e o que é ruim. Por coincidência, essa é uma concepção quase que universal, que portanto não reverbera como discriminação contra os ladrões. Porém, quando uma pessoa, também guiada por seus conceitos éticos (religiosos ou não), coloca na internet, ou externa de qualquer outra maneira pública: "sexo entre pessoas de mesmo sexo é errado", sua opinião diverge das concepções de alguns. E aí, legalmente, ela está errada? Isso é incitar o ódio, discriminar? De fato, há uma clara discordância entre a lei dos homens e a lei de Deus. E o católico, estaria proibido de praticar a sua doutrina, de alertá-los (isso não significa ficar enchendo o saco dos gays para que eles se convertam, mas simplesmente "conscientizar") sobre o pecado? E a liberdade de expressão? Eu acho apenas que temos que aprender a conviver com nossas diferenças de conceitos.

Ele é homo metrossexual!

Lembrem-se que em nenhum momento eu entrei na questão da homofobia. A homofobia (até onde eu sei, porque hoje é tudo tão confuso...) é uma forma de agressão, verbal, psicológica ou discriminatória contra homossexuais. Ela, do ponto de vista Católico e do ponto de vista constitucional, é claramente considerada errada, absurda! Muito menos entram nessa discussão expressões racistas ou sexistas (já que não pode, de maneira alguma, ser considerado errado, ser da raça X ou do sexo Y). Todo o meu questionamento aqui se dá a respeito da expressão ética individual livre de ódio e agressão.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A língua como instrumento de exclusão social

A linguagem é uma das maiores invenções humanas. Ela possibilitou um imenso incremento na facilidade e rapidez da comunicação entre as pessoas e com isso, uma maior comunhão entre elas. A língua, que durante muito tempo, foi vista pela sociedade como um fator a mais de coesão social, de identificação entre os homens, hoje desempenha um papel um pouco diferente em algumas situações cotidianas.

Ironicamente, algo que foi feito com a intenção exatamente contrária, atualmente serve como instrumento de exclusão social e auto-afirmação de status de "poder vigente". O domínio da língua discrimina os indivíduos entre "cultos" e "não-cultos", nas redes sociais, nos veículos de comunicação, na comunicação diária. É de extrema importância o domínio da nossa língua, mas nunca ela deveria ser usada para segregar as pessoas.
Sempre foram buscadas, de modo doentio, maneiras das classes mais poderosas se diferenciarem do "resto": cor da pele, dinheiro, modo de se vestir... E uma das mais absurdas entre tantos absurdos, a língua.

Então, mostram-se como melhores aqueles que tem um "saber" linguístico (muitas vezes falso, na realidade) mais apurado. E, dessa forma, fica adquirido o direito de discriminar aqueles que não conhecem as regras formais da língua, por falta de oportunidade ou por opção. Chega até a ser engraçado observar como funciona essa discriminação em certos meios em que, "tu tá fazendo o que?" é aceito e "nós vai" não é. Claramente, ninguém conhece a língua, mas criaram (sabe-se lá quem) padrões para determinar os erros que  são certos e aqueles que são extremamente errados e inaceitáveis.

A língua foi feita para facilitar a comunicação e unir as pessoas! O ideal é conhecê-la ao máximo e saber utilizar as variações que mais se adequam à situação, sem necessidade de esbanjar o seu "conhecimento", de modo que essa "dádiva" seja usada em prol da nossa evolução social.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Água gelada

Nada como água gelada
Para refrescar os pensamentos
E acalmar os ânimos
E resfriar as têmporas

E enclausurar as ideias, até que
Enfim, elas se choquem, se reproduzam, tornem-se úteis de alguma maneira

Como gerar finalmente aquele ímpeto cria-sócio-econômico-atuativo?
Que às vezes surge e desaparece tão rapidamente, despercebidamente...

Ah, é melhor esperar
Deixando a mente vasculhar o disco rígido subconsciente
Procurando vestígios deixados pela sua última aparição
Ainda que borrada em meus olhos