A linguagem é uma das maiores invenções humanas. Ela possibilitou um imenso incremento na facilidade e rapidez da comunicação entre as pessoas e com isso, uma maior comunhão entre elas. A língua, que durante muito tempo, foi vista pela sociedade como um fator a mais de coesão social, de identificação entre os homens, hoje desempenha um papel um pouco diferente em algumas situações cotidianas.
Ironicamente, algo que foi feito com a intenção exatamente contrária, atualmente serve como instrumento de exclusão social e auto-afirmação de status de "poder vigente". O domínio da língua discrimina os indivíduos entre "cultos" e "não-cultos", nas redes sociais, nos veículos de comunicação, na comunicação diária. É de extrema importância o domínio da nossa língua, mas nunca ela deveria ser usada para segregar as pessoas.
Sempre foram buscadas, de modo doentio, maneiras das classes mais poderosas se diferenciarem do "resto": cor da pele, dinheiro, modo de se vestir... E uma das mais absurdas entre tantos absurdos, a língua.
Então, mostram-se como melhores aqueles que tem um "saber" linguístico (muitas vezes falso, na realidade) mais apurado. E, dessa forma, fica adquirido o direito de discriminar aqueles que não conhecem as regras formais da língua, por falta de oportunidade ou por opção. Chega até a ser engraçado observar como funciona essa discriminação em certos meios em que, "tu tá fazendo o que?" é aceito e "nós vai" não é. Claramente, ninguém conhece a língua, mas criaram (sabe-se lá quem) padrões para determinar os erros que são certos e aqueles que são extremamente errados e inaceitáveis.
A língua foi feita para facilitar a comunicação e unir as pessoas! O ideal é conhecê-la ao máximo e saber utilizar as variações que mais se adequam à situação, sem necessidade de esbanjar o seu "conhecimento", de modo que essa "dádiva" seja usada em prol da nossa evolução social.
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