A linguagem é uma das maiores invenções humanas. Ela possibilitou um imenso incremento na facilidade e rapidez da comunicação entre as pessoas e com isso, uma maior comunhão entre elas. A língua, que durante muito tempo, foi vista pela sociedade como um fator a mais de coesão social, de identificação entre os homens, hoje desempenha um papel um pouco diferente em algumas situações cotidianas.
Ironicamente, algo que foi feito com a intenção exatamente contrária, atualmente serve como instrumento de exclusão social e auto-afirmação de status de "poder vigente". O domínio da língua discrimina os indivíduos entre "cultos" e "não-cultos", nas redes sociais, nos veículos de comunicação, na comunicação diária. É de extrema importância o domínio da nossa língua, mas nunca ela deveria ser usada para segregar as pessoas.
Sempre foram buscadas, de modo doentio, maneiras das classes mais poderosas se diferenciarem do "resto": cor da pele, dinheiro, modo de se vestir... E uma das mais absurdas entre tantos absurdos, a língua.
Então, mostram-se como melhores aqueles que tem um "saber" linguístico (muitas vezes falso, na realidade) mais apurado. E, dessa forma, fica adquirido o direito de discriminar aqueles que não conhecem as regras formais da língua, por falta de oportunidade ou por opção. Chega até a ser engraçado observar como funciona essa discriminação em certos meios em que, "tu tá fazendo o que?" é aceito e "nós vai" não é. Claramente, ninguém conhece a língua, mas criaram (sabe-se lá quem) padrões para determinar os erros que são certos e aqueles que são extremamente errados e inaceitáveis.
A língua foi feita para facilitar a comunicação e unir as pessoas! O ideal é conhecê-la ao máximo e saber utilizar as variações que mais se adequam à situação, sem necessidade de esbanjar o seu "conhecimento", de modo que essa "dádiva" seja usada em prol da nossa evolução social.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Água gelada
Nada como água gelada
Para refrescar os pensamentos
E acalmar os ânimos
E resfriar as têmporas
E enclausurar as ideias, até que
Enfim, elas se choquem, se reproduzam, tornem-se úteis de alguma maneira
Como gerar finalmente aquele ímpeto cria-sócio-econômico-atuativo?
Que às vezes surge e desaparece tão rapidamente, despercebidamente...
Ah, é melhor esperar
Deixando a mente vasculhar o disco rígido subconsciente
Procurando vestígios deixados pela sua última aparição
Ainda que borrada em meus olhos
Para refrescar os pensamentos
E acalmar os ânimos
E resfriar as têmporas
E enclausurar as ideias, até que
Enfim, elas se choquem, se reproduzam, tornem-se úteis de alguma maneira
Como gerar finalmente aquele ímpeto cria-sócio-econômico-atuativo?
Que às vezes surge e desaparece tão rapidamente, despercebidamente...
Ah, é melhor esperar
Deixando a mente vasculhar o disco rígido subconsciente
Procurando vestígios deixados pela sua última aparição
Ainda que borrada em meus olhos
domingo, 20 de janeiro de 2013
O saldo
"Ainda é cedo, amor..."
Já dizia o poeta
Ainda é cedo e o nosso romance
Aquele, lembra?
Nem começou e nem terminou
Mas o seu possível e inevitável destino
Já estava intrinsecamente determinado
Estávamos fadados à separação prematura
Bem que me disseram que os relacionamentos atuais são extremamente lábeis
E o saldo?
-Algumas poucas memórias que minha mente tratou de colocar um filtro Preto e Branco
-Esta poesia
Já dizia o poeta
Ainda é cedo e o nosso romance
Aquele, lembra?
Nem começou e nem terminou
Mas o seu possível e inevitável destino
Já estava intrinsecamente determinado
Estávamos fadados à separação prematura
Bem que me disseram que os relacionamentos atuais são extremamente lábeis
E o saldo?
-Algumas poucas memórias que minha mente tratou de colocar um filtro Preto e Branco
-Esta poesia
sábado, 29 de dezembro de 2012
Sobre a maconha (2)
E aí meu povo, este post é um "adendo" a uma postagem anterior, devido a recentes reflexões que fiz sobre o uso da maconha, enquanto criminalizada, e os males causados à sociedade. Para quem não viu o primeiro post, aqui segue o link: http://coerenciametamorfica.blogspot.com.br/2011/11/sobre-maconha.html.
Então, continuo afirmando tudo que foi dito nessa postagem, porém vim pensando recentemente: por que as pessoas que fazem uso da droga continuam utilizando-a, muitas delas completamente conscientes do prejuízo social causado por ela? Percebi que muitos não têm a percepção de que a guerra do tráfico é alimentada por eles, simplesmente porque ela não os perturba. Geralmente, quando tu, caro usuário, acendes um baseado na tua festinha ou na sacada do teu apartamento, nenhum policial vai bater na tua porta. As balas perdidas não chegam ao vigésimo andar. Os traficantes não vão aliciar teu irmão para o tráfico e destruir a "infância" de seus coleguinhas. E depois tu ainda pagas de humanista, de "paz-e-amor" e tudo mais.
Por fim, para as autoridades, na maioria dos casos, a diferença entre usuário e traficante é o poder aquisitivo. Se tem um favelado fumando maconha, é traficante. Se é rico, leva só um baculejo, é usuário, é a lei. Assim é muito fácil ser maconheiro.
Feliz 2013.
sábado, 24 de novembro de 2012
Imprevisibilidade
É interessante (e ao mesmo tempo assustador) perceber a quase completa falta de controle que nós temos sobre as nossas próprias vidas. A partir do ponto em que aceitamos viver em sociedade (ou seja, desde sempre), a nossa decisão se torna apenas um fator de influência, em meio a infinitos outros fatores gerados pela livre arbitrariedade do homem. Não que isso sempre represente algo ruim, pois há momentos em que nossas ações, se tomadas como únicas, poderiam se tornar repercussões desastrosas.
E não adianta planejar, se preocupar, esquematizar, imprevistos se chamam assim não por acaso. E tomar consciência desses fatos implica interiorizar aceitação e resignação para a inevitável imprevisibilidade das consequências para nossos atos. Isso não significa exatamente a desistência perante um aparente desenrolar inesperado de acontecimentos, mas sim estar preparado para vivenciar as surpresas e reagir a elas "energicamente". Isso significa aprender a lidar com as nuances da estrada vital na qual todos nós estamos obrigatoriamente inseridos e com a orientação divina e todo o mistério a que está ligado o Seu propósito.
A consciência da imprevisibilidade nos convida a uma nova postura de vida. Ela nos propõe que vivamos plenamente, apreciando cada uma das belíssimas pedras que hão de surgir no nosso caminho.
E não adianta planejar, se preocupar, esquematizar, imprevistos se chamam assim não por acaso. E tomar consciência desses fatos implica interiorizar aceitação e resignação para a inevitável imprevisibilidade das consequências para nossos atos. Isso não significa exatamente a desistência perante um aparente desenrolar inesperado de acontecimentos, mas sim estar preparado para vivenciar as surpresas e reagir a elas "energicamente". Isso significa aprender a lidar com as nuances da estrada vital na qual todos nós estamos obrigatoriamente inseridos e com a orientação divina e todo o mistério a que está ligado o Seu propósito.
A consciência da imprevisibilidade nos convida a uma nova postura de vida. Ela nos propõe que vivamos plenamente, apreciando cada uma das belíssimas pedras que hão de surgir no nosso caminho.
Drummond, apreciando as pedras da vida dele.
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A mentira sobre a poesia
Dizem que a poesia é coisa bonita
E que o "poeta" é um cara que fala bem
Todo "poeta" é, na verdade, um tímido
É um cara que tem algo pra dizer (ou não)
Contudo, só o diz se na verdade
Está escondido numa aura de criatividade
E aí renuncia sua própria realidade
E empurra a própria criação
Pra um ego criativo
Pra um ser extra-(intra-corpóreo)
Mas sabe que tudo
Se foi por ele enunciado
Faz parte do mesmo sarapatel
De vísceras cerebrais
E que o "poeta" é um cara que fala bem
Todo "poeta" é, na verdade, um tímido
É um cara que tem algo pra dizer (ou não)
Contudo, só o diz se na verdade
Está escondido numa aura de criatividade
E aí renuncia sua própria realidade
E empurra a própria criação
Pra um ego criativo
Pra um ser extra-(intra-corpóreo)
Mas sabe que tudo
Se foi por ele enunciado
Faz parte do mesmo sarapatel
De vísceras cerebrais
sexta-feira, 27 de julho de 2012
???
Quem vive
De preto no branco
Acaba perdendo todas as nuances
De tons de cinza
Quem vive no abismo da incerteza
Do questionamento, da dúvida permanente
Se renova
A cada nova verdade
Quem vive na sua própria incerteza
Eu tenho certeza
Que enxerga mais beleza
Em cada mudança
Que causa estranheza
A todos os outros viventes
E quem vive na pergunta não se perde
Porque sabe que não há lugar para se achar
Senão o próprio lugar
Em que, no dado momento, se está
Ou aquele lugar
Lá no infinito
De preto no branco
Acaba perdendo todas as nuances
De tons de cinza
Quem vive no abismo da incerteza
Do questionamento, da dúvida permanente
Se renova
A cada nova verdade
Quem vive na sua própria incerteza
Eu tenho certeza
Que enxerga mais beleza
Em cada mudança
Que causa estranheza
A todos os outros viventes
E quem vive na pergunta não se perde
Porque sabe que não há lugar para se achar
Senão o próprio lugar
Em que, no dado momento, se está
Ou aquele lugar
Lá no infinito
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