"O homem é o único animal que pode dizer não a Deus."
Essa percepção, apesar de tão clara e de uma simplicidade enorme, é de uma importância imensurável.
Os homens, como únicos animais "racionais", tem certas peculiaridades em relação aos nossos caríssimos colegas de vivência existencial que são "irracionais". O homem tem a Escolha. Como falei um pouco no post anterior, somos um misto de determinismo e possibilidades. Somos animais, mas temos a capacidade de estabelecer juízos de valor sobre o universo e de nos diferenciarmos. Isso dá uma outra dimensão de beleza ao homem.
Falando como cristão, Deus criou o homem, mas não para ser seu servo e o obedecer cegamente, Ele sempre estará falando ao nosso ouvido, cabe a nós termos vontade ou não de ouvir. Deus não é um ditador. Ele nos criou para sermos seus amigos. Na bíblia, diz-se que Deus criou o homem para que ele dominasse a terra e todos os animais. Analisando friamente, chega até a ser uma atitude bem presunçosa. Ele nos cria sem obrigações, e, por amor e gratidão à Sua grandeza, seguiríamos Ele. Temos a opção de dizer Não a Deus e isso torna nosso Sim extramente valioso e belo.
Se o livre-arbítrio dá tanta beleza à natureza humana, por outro lado ele é também a raiz de todas as nossas angústias... O homem é o único animal que Pensa em ser feliz. Todos os outros simplesmente o são. Exemplo: um gato está com fome, triste. Levanta-se sobre suas quatro patas, come e fica feliz, em plenitude com sua existência. O homem, por sua vez, levanta infinitas incógnitas e variáveis. Sente fome, triste. Pergunta-se porque está triste, escolhe o que vai comer, tem dúvidas, pensa no que fará depois de comer e quando finalmente, após comer, quando deveria, supostamente ter satisfeito suas vontades, lembra-se que ele poderia ter comido melhor, que daqui a 3 horas vai estar com fome de novo, que faz tempo em que não escreve em seu blog, etc. O homem Nunca alcança a plenitude, porque ele compreende que existem diversas variáveis que poderiam ser melhores. O que nos resta é, ou viver angustiado refletindo sobre essa impossibilidade, ou viver positivamente sempre buscando a plenitude, própria e de todos.
sábado, 14 de abril de 2012
sábado, 28 de janeiro de 2012
Multidimensionalidade de escolhas X Máquina "racional" programável
Caríssimos e imaginários leitores,
Após um hiato por tempo indefinido, estamos reabrindo. Gostaria de dizer primeiramente que apreciei muito as pessoas que me perguntavam sobre o blog, se eu ainda estava postando... Enfim, estou de volta, após um tempo para clarear as ideias.
Nesse post, vou abordar o livre arbítrio humano, a espontaneidade e pressões sociais e psicológicas.
Então, eu estava vendo um programa sobre uma experiência psicológica, e percebi que, apesar de ser extremamente reconfortante a ideia de que nós somos racionais e temos uma grande variedade de escolhas por fazer, em certas áreas, o homem age seguindo padrões. A real questão é: será que esses padrões existem porque a razão é uma só e por isso nos leva aos mesmos caminhos, quando estamos sob as mesmas condições, ou será que, em verdade, o nosso subconsciente está condicionado e propenso a fazer as mesmas escolhas sempre? Esse dilema é agravado ainda mais nos dias de hoje pela imposição dos meios de comunicação e pela relativa articulação entre as pessoas e os setores sociais.
É de conhecimento geral que esses assim chamados padrões de comportamento existem. O homem é um ser social, influenciável e, querendo ou não, de uma maneira ou de outra, no final das contas somos da mesma espécie, então temos interesses em comum, como se alimentar, descansar, reproduzir, sobreviver. Dois fatores que apontam contra o livre arbítrio puro: a tendência do homem de tentar ser aceito e agir em grupo e os instintos de sobrevivência da nossa espécie.
Por outro lado, apontam a favor do livre arbítrio os fenômenos sociais de revoluções, contracultura, exclusão e estranhamento entre grupos sociais. A diversificação cultural em si, às vezes existente em um mesmo território é uma comprovação bruta da existência do livre arbítrio. Além disso, pela própria definição de padrão de comportamento, se há uma conduta recomendada pela sociedade, há uma conduta não recomendada, e pessoas que se comportam de tal maneira.
Isso nos traz para outro ponto. Considerar uma conduta mais ou menos aceita pelo meio influencia a decisão das pessoas. Dessa maneira, pode-se observar que os tais padrões de comportamento, apesar de rigidamente fixos, são moldáveis, condicionáveis pelas condições do meio.
Pode-se concluir que, no fim das contas, o ser humano é um misto de determinismo e possibilidades. E, conforme diminui-se o "pensar", aumenta-se a previsibilidade das ações humanas. A pergunta que continua sem resposta é: como surgem as alternativas espontâneas, sem reflexão? Como há indivíduos que fogem do padrão de comportamento comum naturalmente? Uma mutação no instinto humano? Outros fatores que condicionaram o desvio não perceptíveis pelos outros?
Após um hiato por tempo indefinido, estamos reabrindo. Gostaria de dizer primeiramente que apreciei muito as pessoas que me perguntavam sobre o blog, se eu ainda estava postando... Enfim, estou de volta, após um tempo para clarear as ideias.
Nesse post, vou abordar o livre arbítrio humano, a espontaneidade e pressões sociais e psicológicas.
Então, eu estava vendo um programa sobre uma experiência psicológica, e percebi que, apesar de ser extremamente reconfortante a ideia de que nós somos racionais e temos uma grande variedade de escolhas por fazer, em certas áreas, o homem age seguindo padrões. A real questão é: será que esses padrões existem porque a razão é uma só e por isso nos leva aos mesmos caminhos, quando estamos sob as mesmas condições, ou será que, em verdade, o nosso subconsciente está condicionado e propenso a fazer as mesmas escolhas sempre? Esse dilema é agravado ainda mais nos dias de hoje pela imposição dos meios de comunicação e pela relativa articulação entre as pessoas e os setores sociais.
É de conhecimento geral que esses assim chamados padrões de comportamento existem. O homem é um ser social, influenciável e, querendo ou não, de uma maneira ou de outra, no final das contas somos da mesma espécie, então temos interesses em comum, como se alimentar, descansar, reproduzir, sobreviver. Dois fatores que apontam contra o livre arbítrio puro: a tendência do homem de tentar ser aceito e agir em grupo e os instintos de sobrevivência da nossa espécie.
Por outro lado, apontam a favor do livre arbítrio os fenômenos sociais de revoluções, contracultura, exclusão e estranhamento entre grupos sociais. A diversificação cultural em si, às vezes existente em um mesmo território é uma comprovação bruta da existência do livre arbítrio. Além disso, pela própria definição de padrão de comportamento, se há uma conduta recomendada pela sociedade, há uma conduta não recomendada, e pessoas que se comportam de tal maneira.
Isso nos traz para outro ponto. Considerar uma conduta mais ou menos aceita pelo meio influencia a decisão das pessoas. Dessa maneira, pode-se observar que os tais padrões de comportamento, apesar de rigidamente fixos, são moldáveis, condicionáveis pelas condições do meio.
Pode-se concluir que, no fim das contas, o ser humano é um misto de determinismo e possibilidades. E, conforme diminui-se o "pensar", aumenta-se a previsibilidade das ações humanas. A pergunta que continua sem resposta é: como surgem as alternativas espontâneas, sem reflexão? Como há indivíduos que fogem do padrão de comportamento comum naturalmente? Uma mutação no instinto humano? Outros fatores que condicionaram o desvio não perceptíveis pelos outros?
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Tédio
M
a o
r m
a s
O tédio entranha-se nas entranhas
Ele pren-
de Alie-
na Entor-
pece Minha
pobre alma
No indeferente "status quo" diário
a o
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O tédio entranha-se nas entranhas
Ele pren-
de Alie-
na Entor-
pece Minha
pobre alma
No indeferente "status quo" diário
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Sobre a maconha
Então, antes iniciar este post, gostaria de esclarecer alguns pontos: por mais que o nome e os assuntos deste blog possam sugerir, não sou usuário da maconha e nunca experimentei a mesma. Todo e qualquer comentário feito aqui não é baseado cientificamente, apenas deduzido por estatísticas, senso comum ou lógica. Além disso, não escrevi isso para condenar atitudes de ninguém, apenas para expor algumas reflexões feitas após ouvir opiniões e argumentos muito convincentes sobre o assunto.
Sou a favor da legalização. Não que a maconha não seja prejudicial à saúde. Ela causa, até onde sei, danos ao sistema nervoso e também ao respiratório. Provavelmente é tão perigosa quanto o café, o bacon, as gorduras trans e alguns remédios, todos estes substâncias lícitas, e menos perigosa que drogas como o álcool e o tabaco. Meio contraditório, não? A criminalização da maconha está relacionada a outros fatores históricos, que eu não domino o suficiente para comentar. Há vários documentários por aí falando sobre isso, enfim... O certo, creio eu, seria legalizar tudo, e fornecer cultura. O homem com conhecimento pode discernir por si só o que é conveniente e o que não é para ele.
Por que então não consumo? Acho que também seria contraditório me dizer pacifista e sustentar a base econômica do tráfico que parasita as cidades com violência, insegurança e destruição da perspectiva de uma vida digna de milhares de crianças que são coagidas desde cedo a fugir da educação para o tráfico. Se sou contra uma base constitucional, deveria lutar e votar para que ela mude, em vez de acobertar práticas à margem da lei, que vão junto com o tráfico.
Posso ter sido um pouco radical nesse último parágrafo, mas por via das dúvidas, quem quer fumar seu baseado em paz e pensa em diminuir um pouco os prejuízos sociais causados, faça como já recomendou o Planet Hemp: "não compre, plante!"
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Como explicar o inexplicável?
"Vários transeuntes de uma cidade no sul da China ignoraram uma menina de dois anos de idade que havia sido atropelada, segundo a agência oficial de notícias do país, Xinhua.
O acidente na cidade de Foshan causou morte cerebral no bebê.
Imagens de câmeras mostraram a criança, chamada Yue Yue, sendo atingida por um furgão em um mercado.
A menina é então ignorada, durante sete minutos, por várias pessoas que passam pelo local. Ela é ainda atropelada por um segundo veículo."
Fonte: G1.globo.com
Primeiramente, isso é injustificável. Negar socorro a um ser humano, ainda mais a um bebê, que é inocência e bondade pura não deveria ser um ato próprio do senso ético e da natureza do animal racional que supostamente somos.
Não cabe a ninguém culpar uma pessoa, um estado, uma cultura ou uma raça sem entendermos profundamente o fato. Não obstante a imensa revolta diante da morbidez do acontecimento, não devemos abandonar a razão. Deve-se, sim, dar ouvidos ao grito esperneante da tristeza que sobre qualquer homem consiente se abate, mas também é necessária uma análise pensada sobre isso.
De fato, é ABSURDO propor uma teoria racial que justifique isso cientificamente. Vários estudos já comprovaram que a etnia da qual alguém é proveniente não determina seu caráter. Acusar o asiático é propor um novo holocausto. Mesmo assim, cheguei a ler comentários no Youtube dizendo que os chineses eram "cachorros". O que é injustiça duas vezes, pois além denegrir uma raça, não estaríamos fazendo jus aos cães.
Seria idiotisse culpar a cultura chinesa ou seus costumes e tradições. Grande parte da arte e da cultura da China falam em equilíbrio, amor, etc. E mesmo que se pudesse culpar a cultura sino-asiática, tal fato não seria justificável, pois, embora hajam diferenças gritantes entre as sociedades oriental e ocidental, existem lugares comuns que pregam o altruísmo e a ajuda ao próximo.
Facilmente, poderia se culpar apenas as pessoas envolvidas, falar que é um caso isolado ou que as pessoas não viram e que está tudo bem. Mas elas viram. É doentio. É um comportamento muito repugnante e abrangente para se repetir em aproximadamente 20 pessoas (2 que atropelaram e mais 18 pedrestes que ignoraram a criança sangrando em agonia), além dos donos das lojas que estavam ao redor.
Alguns dirão, e já disseram, que a culpa é do estado chinês (ou até do comunismo) e das suas leis, se referindo ao "Nanjing judge", caso em que um homem foi multado por socorrer uma idosa caída na rua, após ela ter dito que fora ele quem a empurrara. O veredito chinês se apoiou numa tese tão grosseira quanto o próprio incidente: "se ele não fizera mal, por que ele teria a ajudado?" Porém, apesar de até haver um certo embasamento lógico, ainda é muito fácil e confortante dizer que o culpado é Mao Tsé Tung e sua criação do economicamente monstruoso estado chinês. O buraco há de estar mais embaixo.
Na minha rasteira opinião, o triste e extremamente lamentável ocorrido serve de alerta para toda a humanidade. Aonde vamos parar? Cabe aqui, sim questionar a evolução. Quais são os valores que estão impregnados subvertida e inconscientemente em toda a irracionalidade da sociedade que o homem criou? Todos nós somos responsáveis. O mais importante é não deixar que isso seja simplesmente esquecido com o tempo, que nos enganem e deem justificativas vãs, que deixem, só por um segundo, de agir pensando em tentar melhorar ou ao menos não piorar a situação da humanidade, que está por um triz de se desvirtuar por completo. Espero sinceramente que não.
domingo, 16 de outubro de 2011
Perdão
Verdejando na angústia do calar
Adagiando a cada passo
Como se me adejasse no espaço
Cada um dos nossos monossilábicos diálogos
Cada um dos nossos olhares imediatos
Cada um dos sorrisos envergonhados
Espero um dia, talvez, poder encontrar
O teu rosto sincero
Por um dia inteiro, te estudar
Cada minucioso detalhe imperceptível e depois gastar
Mais um dia para procurar
As palavras para explicar
E tentar fazer uma poesia que não seja tão ruim
Quanto essa
Perdão
Adagiando a cada passo
Como se me adejasse no espaço
Cada um dos nossos monossilábicos diálogos
Cada um dos nossos olhares imediatos
Cada um dos sorrisos envergonhados
Espero um dia, talvez, poder encontrar
O teu rosto sincero
Por um dia inteiro, te estudar
Cada minucioso detalhe imperceptível e depois gastar
Mais um dia para procurar
As palavras para explicar
E tentar fazer uma poesia que não seja tão ruim
Quanto essa
Perdão
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Jimi Hendrix
Ainda lembro-me (vagamente) do dia em que ouvi aquela guitarra pela primeira vez. Tinha por volta de 12 anos e uma imensa curiosidade sobre tudo que fugia do padrão. Vou confessar, ineditamente, odiei. Não estava pronto para tanto. Aquela microfonia que beirava o inescutável e agudos de ensurdecer qualquer um. É aquele tipo de coisa de se escuta, vê ou sente e dá aquela sensação: "que porra é esta?" Tentei esquecer e voltar para a minha vida normal e mundana. Inútil. Decidi dar outra chance pra aquele carinha a quem chamavam de melhor guitarrista do mundo (uma das poucas escolhas certas da civilização humana). Comecei a entender que a complexidade daquele som estava muito além do meu alcance e, conforme crescia como pessoa, adorava cada vez mais sua música. Vivia me perguntando o porquê daquilo. Numa música, eu ouvia a voz e a guitarra mais aveludadas do universo, na música seguinte, pura fúria e confusão. Hoje cheguei perto de conseguir explicitar o que sinto quando ouço Jimi Hendrix. Poucos artistas conseguiram captar a essência bela e doentia da natureza do homem do mesmo modo que ele. Toda a sujeira, todo o desconforto e dor nos ouvidos produzidos por aqueles sons não devem ser evitados, eles refletem o desespero causado pelas atitudes do "homo homini lupus". Juntamente com uma bateria "virada na moléstia" e um baixo fazendo a "cozinha" pra tudo isso, surge uma catarse de destruição, ira, ódio e revolta. Gritando por socorro, berrando desesperadamente por atenção. Logo em seguida, percebe-se a poeira baixando e o choro melodioso que é exalado da sua guitarra rasga e cicratiza. É um som que rompe qualquer barreira e inspira o que há de melhor em qualquer pessoa. É o amor na mais pura transcedentalidade.
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